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Filosofia do Conhecimento - Missão 09 - Sócrates - elenkhos

Ler de modo filosófico textos de diferentes estruturas e registros (PCNs, página 64)

Sócrates no Tribunal
Preparando-se para a morte
Preparando-se para beber o veneno
Bebendo a cicuta
Bebendo a cicuta
Bebendo a cicuta
Bebendo a cicuta
Sócrates, morto
Filosofia do Conhecimento
Temas: elenkhos / maiêutica / ironia / aporia
Questão Central: Qual é a missão da filosofia?
Filósofo: Sócrates (470 - 399 a.C.)
Obra: A Defesa de Sócrates (escrita por Platão)


Biografia


Acredita-se que Sócrates (470 a.C. - 399 a.C.) foi um filósofo ateniense e um dos mais importantes ícones da tradição filosófica ocidental. A fonte mais importante de informação sobre Sócrates é Platão (Alguns filósofos afirmam só se poder falar de Sócrates como um personagem de Platão, por ele nunca ter deixando nada escrito de sua própria autoria.). Os diálogos de Platão retratam Sócrates como professor que se recusa a ter discípulos, e um homem piedoso que foi executado por causa da conveniência de seu próprio Estado. O julgamento e a execução de Sócrates foram momentos importantes em sua vida e são eventos centrais da obra de Platão. Sócrates admitiu que poderia ter evitado sua condenação (beber o veneno chamado cicuta) se tivesse desistido da filosofia. Mesmo depois de sua condenação, ele poderia ter evitado sua morte se tivesse escapado com a ajuda de amigos. A razão para sua cooperação com o Estado e com seus próprios valores mostra uma valiosa faceta de sua filosofia, em especial aquela que é descrita nos diálogos com Críton.

Ler textos filosóficos de modo significativo (PCNs)

Defesa de Sócrates

Sócrates – (Se os senhores) me dissésseis: "Ó Sócrates, não pretendemos dar, agora, atenção a Ânito e deixamos-te livre, desde que não empregues mais teu tempo nessas pesquisas, nem te ocupes mais de filosofia, e se fores surpreendido a praticar ainda estas coisas, morrerás"; se, como dizia, com esta condição me deixásseis em liberdade, eu vos responderia: "Ó atenienses, eu vos amo, mas obedecerei primeiro ao deus do que a vós, e enquanto tiver ânimo, e enquanto for capaz, não pararei de filosofar, não pararei de estimular-vos e censurar-vos; e a quem quer que eu encontrasse de vós, em qualquer ocasião, conversando da minha maneira habitual, assim diria: "E tu, que és o melhor dos homens; tu, ateniense, cidadão da maior cidade e mais célebre por sabedoria e poder, não te envergonhes de pensar em acumular o máximo de riquezas, fama e honras, sem te preocupar em cuidar da inteligência, da verdade e da tua alma, para que se tornem tão boas quanto possível?" E se algum de vós retrucasse que cuida de fato delas, não o deixaria afastar-se nem iria embora, mas o interrogaria, o analisaria, o impugnaria, e se me afigurasse que não possui virtude mas apenas afirma possuí-la, eu o envergonharia demonstrando-lhe que considera infames as coisas mais estimáveis e de valor, as infames. E agiria assim com qualquer um que eu quisesse: jovens ou velhos, atenienses ou estrangeiros, e também com vós, que me sois mais estritamente próximos. Isto, vós não desconheceis, é ordem do deus e estou convencido de que haja para vós maior bem na cidade do que esta minha obediência ao deus.
Em verdade, com este meu caminhar não faço outra coisa a não ser convencer-vos, jovens e velhos, de que não deveis vos preocupar nem com o corpo, nem com as riquezas, nem com qualquer outra coisa antes e mais que com a alma, a fim de que ela se torne excelente e muito virtuosa, e de que das riquezas não se origina a virtude, mas da virtude se originam as riquezas e todas as outras coisas que são venturas para os homens, tanto para os cidadãos individualmente como para o Estado. Se ao falar desta maneira corrompo os jovens, está certo, isto significará que minhas palavras são nocivas, mas se alguém afirma que falo diferentemente e não deste modo, então diz coisas insensatas. Por tudo isso, permiti que vos diga, ó cidadãos atenienses: ou dareis ouvidos a Ânito, ou não dareis, absolver-me-eis ou não, mas, de qualquer forma, tende a certeza de que nunca agirei de outra maneira que esta, mesmo que não só uma, mas muito mais vezes devesse morrer.

Dicionário Filosófico

Maiêutica: Literalmente a arte do parto. O filósofo deveria provocar nos indivíduos o desenvolvimento de seu pensamento de modo que esses viessem a superar sua própria ignorância, mas através da descoberta, por si próprios, com o auxílio do “parteiro”, da verdade que trazem em si.

Ironia: Dissimulação. Recurso de expressão que parece indicar o oposto do que se pensa sobre algo. A ironia como forma de argumentação é utilizada por Sócrates para revelar a seu interlocutor sua própria ignorância. Formulava perguntas fingindo-se totalmente ignorante a respeito do assunto. Assim envolvia o interlocutor em contradições insolúveis.

Aporia: [Do gr. aporia, “caminho inexpugnável, sem saída”, “dificuldade”.] 1. Dificuldade, impasse, paradoxo, momento de auto-contradição que impede que o sentido de um texto ou de uma proposição seja determinado. Na filosofia grega antiga, o termo começou por servir para designar contradições entre dois juízos (o que se chamaria depois, com mais propriedade, antinomia). Na filosofia de Zenão de Eleia, por exemplo, podemos falar de aporias nos juízos sobre a impossibilidade do movimento. Mais tarde, designaram-se alguns diálogos platônicos como “aporéticos”, isto é, inconclusivos. Ao estudo das aporias chama-se aporética. Aristóteles definirá a aporia como uma “igualdade de conclusões contraditórias” (Tópicos, 6.145.16-20).

Elencos: Termo grego que significa "interrogatório", e que costuma ser usado para referir o método usado por Sócrates, que consistia em fazer perguntas aos seus interlocutores com o objetivo de descobrir verdades importantes acerca de conceitos filosóficos centrais, como justiça, bem e verdade.

Elaborar por escrito o que foi apropriado de modo reflexivo (PCNs)

1 – Qual é a resposta de Sócrates ao Tribunal caso este o deixasse em liberdade desde que abandonasse a filosofia?
2 – Quando Sócrates diz que segue na busca e na investigação da filosofia, ele está sendo impulsionado por um:
(   ) daimon               (   ) titã
3 – Em que os atenienses deveriam envergonhar-se de pensar?
4 – O que eles deveriam cuidar para que se tornem tão bons quanto possível?
5 – Quais são as duas acusações contra Sócrates?
(   ) corromper a juventude
(   ) preocupar-se com o corpo
(   ) preocupar-se com a riqueza, fama e honra
(   ) desobediência ao deus
6 – Independentemente do veredicto, Sócrates:
(   ) não mais interrogaria ninguém, pois não queria morrer
(   ) continuaria a interrogar filosoficamente mesmo que tivesse que morrer muitas vezes
7 – Como Sócrates usava a ironia como instrumento de seu método?
8 – O que o filósofo deveria fazer através do método da maiêutica?
9 – O que significa o termo grego “elencos”?
10 – Qual é o aforismo grego que segundo a tradição estaria inscrito nos pórticos do Templo de Apolo em Delfos, na Antiga Grécia e que era usado por Sócrates no desenvolvimento de seu método?
(   ) conheça o universo e só assim será capaz de compreender a si mesmo
(   ) conhece-te a ti mesmo e conhecerás os deuses e o universo
(   ) conheça o outro, pois ao conhecer ao outro compreenderá sua própria vida
11 – O oráculo do Templo de Apolo teria proclamado Sócrates o homem mais sábio na Grécia, ao que Sócrates terá respondido com a célebre frase:
(   ) Só sei que sou sábio
(   ) Só sei que nada sei
(   ) Só sei que não sou ignorante
12 – (UNIOESTE-PR) Sócrates disse em sua defesa no tribunal: “Uma vida não questionada (examinada) não merece ser vivida." Sobre a filosofia de Sócrates, é incorreto afirmar que:
a) a filosofia de Sócrates consiste em buscar a verdade, aceitando as opiniões contraditórias dos homens; quanto mais importante era a posição social de um homem, mais verdadeira era sua opinião. b) a sabedoria de Sócrates está em saber que nada sabe, enquanto os homens em geral estão impregnados de preconceitos e noções incorretas, e não se dão conta disso.
c) o reconhecimento da própria ignorância é o primeiro passo para a sabedoria, pois, assim, podemos nos livrar dos preconceitos e abrir caminho para a verdade.
d) após muito questionar os valores e as certezas vigentes, Sócrates foi acusado de não respeitar os deuses oficiais (impiedade) e corromper a juventude; foi julgado e condenado à morte por ingestão de cicuta.
e) o caminho socrático para a sabedoria deve ser trilhado pelo próprio indivíduo, que deve por ele mesmo reconhecer seus preconceitos e opiniões, rejeitá-los e, através da razão, atingir a verdade imutável.

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