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Filosofia do Conhecimento - Missão 08 - Os Sofistas - Górgias - a erística

Ler de modo filosófico textos de diferentes estruturas e registros (PCNs, página 64)
Filosofia para Principiantes - Richard Osborne
Filosofia do Conhecimento
Temas: retórica / erística
Questão Central: Pode-se persuadir um interlocutor por meio de vias não racionais?
Filósofo: Górgias (480 a.C. – 375 a.C.)
Obra: Elogio de Helena

Biografia

Górgias de Leontini (480 a.C. – 375 a.C.) foi professor de retórica, filósofo e embaixador em Atenas, tendo ensinado na Sicília e em várias cidades gregas até estabelecer-se na Tessália, local onde morreu com 105 anos de idade.
Górgias demonstrou a confusão entre os dois sentidos do verbo "ser": tal verbo pode tanto ser um verbo de ligação, quanto assumir o significado de existir.
Ele também diferenciou a realidade (o ser), o pensamento (o pensar) e a linguagem (o dizer). Ele percebeu que se pode pensar e dizer coisas irreais; pode acontecer também que o real seja incognoscível (não pode ser conhecido) e incomunicável; e pode ocorrer também que o real, mesmo sendo cognoscível, seja incomunicável.
Górgias representa muito bem a prática sofista da retórica. Além de ter sido professor nesse campo, também reconhecia que a palavra tem um certo poder, já que a retórica destina-se justamente a convencer outras pessoas a adotarem determinado ponto de vista.


Ler textos filosóficos de modo significativo (PCNs)

Elogio de Helena

Se Helena foi raptada pela força e, contra a lei, violentada e, contra a justiça, ultrajada, é claro que a culpa é do raptor, enquanto ultraje como é claro que a raptada, enquanto ultrajada, sofreu uma desventura... Se for a palavra a persuadi-la e a iludir o seu ânimo, isso tampouco é difícil desculpar e justificar.

De fato, a palavra é um grande dominador que, com minúsculo e invisível corpo, realiza mui divinos empreendimentos; de fato, consegue acalmar o medo, eliminar a dor; suscitar a alegria e aumentar a piedade. E explicarei como isso se dá. (...)

E quantos, a quantos, tantas coisas fizeram e fazem crer, forjando um falso discurso! E se todos tivessem, sobre todas as coisas, das passadas, lembrança, das presentes, consciência, das futuras, previsão, não teria igual eficácia o mesmo discurso, tal como é para aqueles que precisamente não conseguem lembrar o passado nem meditar sobre o presente nem intuir o futuro; assim, na maior parte dos casos, a maioria oferece como conselheira da alma a impressão do momento. Impressão esta que, por ser falaz e incerta, para falaz e incerto destino arrasta aqueles que fazem uso dela.

Que motivo, pois, impede de acreditar que Helena tenha sido arrastada pelas lisonjas das palavras, e não tanto por sua vontade, como se fosse raptada com violência? Constatar-se-ia assim o império da persuasão, o qual, mesmo sem ter a aparência da inevitabilidade, tem, no entanto, o seu poder. De fato, um discurso que tenha persuadido uma mente constrange a mente que foi persuadida a acreditar no que foi dito e a consentir no que é feito. Logo, quem persuadiu, ao exercer uma coação, é culpado; ao passo que, quem foi persuadida, sendo constrangida pela força da palavra, é injustamente difamada.

E como a persuasão, unida à palavra, consegue conformar como quiser a alma, deve-se aprender, em primeiro lugar os raciocínios dos meteorologistas (...). Em segundo lugar, os debates oratórios de necessidade pública (políticos e judiciários), nos quais um único discurso não sugerido pela verdade, mas escrito com habilidade, costuma deleitar e persuadir o grande público. (...)

Existe entre o poder da palavra e a disposição da alma a mesma relação existente entre a disposição dos remédios e a natureza do corpo. Como, com efeito, alguns remédios eliminam do corpo certos humores, e outros, outros humores; e alguns interrompem a doença, e outros, a vida. Assim também são os discursos: alguns produzem dor, outros, deleite, outros, medo, outros inspiram coragem aos ouvintes, outros, enfim, com alguma persuasão perversa, envenenam a alma e a enfeitiçam. Eis explicado assim que se ela (Helena) foi persuadida pela palavra não teve culpa, mas desventura... (...)

Quis escrever este discurso para que servisse à Helena como elogio e, a mim, como jogo dialético.


Dicionário Filosófico

Sofistas – Se compunham de grupos de mestres gregos que viajavam de cidade em cidade realizando debates públicos para atrair estudantes, de quem cobravam taxas para oferecer-lhes educação. O foco central de seus ensinamentos concentrava-se no logos ou discurso, com foco em estratégias de argumentação (retórica).

Retórica – A retórica é a técnica (ou a arte, como preferem alguns) de convencer o interlocutor através da oratória, ou outros meios de comunicação. Classicamente, o discurso no qual se aplica a retórica é verbal, mas há também — e com muita relevância — o discurso escrito e o discurso visual.
Os sofistas descobriram que o logos pode ser usado também para mentir, para seduzir e impressionar favoravelmente os ouvintes. Portanto, a linguagem não é simplesmente o espelho da realidade, como supôs Parmênides, mas um meio pelo qual os homens estabelecem as posições recíprocas de poder. Quem pensa possuir a verdade pode buscar argumentos convincentes, fundados na evidência de raciocínios resolutivos; quem, ao contrário, não possui a verdade, empregará argumentos persuasivos, válidos somente para um auditório particular, nem sempre baseado na lógica, mas tocantes – ou seja, dirigidos ao coração, às emoções. Freqüentemente, o segundo método obtém maior sucesso que o primeiro.


Erística – Arte da disputa, derivada sobretudo da prática dos sofistas que a desenvolveram e sistematizaram. Em um sentido pejorativo, significa argumentação que visa ao sucesso contra o adversário, independentemente da preocupação com a verdade.


Elaborar por escrito o que foi apropriado de modo reflexivo (PCNs)
Helena e Páris
http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/8/8d/Helene_Paris_David.jpg
Acesso em: 30 de dezembro de 2011
1 – Na mitologia grega, Helena era filha de Zeus e de Leda, esposa do rei Menelau de Esparta. Quando tinha onze anos foi raptada pelo herói Teseu. Porém seus irmãos Castor e Pólux a levaram de volta a Esparta Possuía a reputação de mulher mais bela do mundo. Helena tinha diversos pretendentes, que incluíam muitos dos maiores heróis da Grécia, e o seu pai adotivo, Tíndaro, hesitava tomar uma decisão em favor de um deles temendo enfurecer os outros. Finalmente um dos pretendentes, Odisseu (cujo nome latino era Ulisses), rei de Ítaca, resolveu o impasse propondo que todos os pretendentes jurassem proteger Helena e o marido que ela escolhesse, qualquer que fosse. Helena então se casou com Menelau, que se tornou rei de Esparta. Helena teve uma filha com Menelau, Hermíone. A sua fuga com o príncipe troiano Páris desencadeou a famosa Guerra de Tróia. Após este acontecimento, foi recuperada pelo marido e levada de volta para Esparta, seu reino.
De acordo com o texto de Górgias “Elogio de Helena”:
a) Ele culpa ou inocenta Helena?
b) Quem é o verdadeiro culpado?
2 – O que consegue “consegue acalmar o medo, eliminar a dor; suscitar a alegria e aumentar a piedade.”?
(   ) o remédio                (   ) a oração
(   ) a palavra                 (   ) a medicina
3 – “Que motivo, pois, impede de acreditar que Helena tenha sido arrastada pelas lisonjas das palavras, e não tanto por sua vontade, como se fosse raptada com violência?”
(   ) o poder da trama        (   ) o poder da astúcia
(   ) o poder da audácia     (   ) o poder da persuasão
4 – Para identificar um falso discurso precisaríamos ter, segundo Górgias:
(A) do passado       (    ) intuição e previsão
(B) do presente       (    ) lembrança e reminiscência
(C) do futuro           (    ) consciência, meditação, reflexão
5 – Quem foram os sofistas?
6 – O que ensinavam?
7 – Quais eram os mais importantes?
8 – Qual deles disse a frase “O homem é a medida de todas as coisas, das coisas que são, enquanto são, das coisas que não são, enquanto não são”.
9 – O que é retórica?
10 – O que é erística?
11 – O que é persuasão?
12 – Górgias compara o discurso com o remédio. “Este elimina do corpo certos humores, e outros, outros humores; e alguns interrompem a doença, e outros, a vida”. E o discurso o que causa?
13 – Por fim, responda a questão central que é: se podemos, ou não, persuadir um interlocutor por meio de vias não racionais. Dê um exemplo.
14 – Palavras Cruzadas sobre os Pré-Socráticos e os Sofistas


Dicas 
Horizontais
3. Disse "Não nos banhamos duas vezes no mesmo rio"; defendia o devir.
7. O princípio para Pitágoras.
10. Defendia a água como princípio.
12. Defendia a transmigração das almas.
13. Significa não divisível.
14. O princípio para Tales.
16. O princípio para Heráclito.
18. Dizia que o ser é.
20. É o estado do que é; exerce a dupla função de verbo absoluto e verbo de ligação.
25. Defendia o indeterminado, o infinito como princípio.
26. Doutrina onde a natureza deriva de um único princípio; contrapõe-se ao dualismo.
27. Arte da disputa no debate.
28. Para ele os princípios eram quatro: terra, ar, fogo e água.
29. O mesmo que natureza.

Verticais
1. Mudança constante, perenidade.
2. O mesmo que princípio.
4. Estudo do ser.
5. Mestre de Demócrito.
6. O mesmo que movimento.
8. Transmigração da alma de um corpo para outro após a morte.
9. Para ele o homem é a medida de todas as coisas.
11. Significa razão, discurso, pensamento, explicação, palavra, etc.
15. O princípio para Anaximandro.
17. Famoso sofista; defendeu a não-culpabilidade de Helena quanto a sua traição conjugal.
19. Discípulo de Parmênides; famoso por seus paradoxos contra o movimento.
21. Técnica para convencer o interlocutor.
22. Defendia o ar como princípio.
23. Defendia a teoria atômica.
24. Ensinavam retóricas e eloqüência aos jovens.

Enigma

Hora Certa

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