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quinta-feira, 24 de julho de 2025

Peirce – linguagem / semiótica

Quais são os diferentes tipos de signo?

Filosofia do Conhecimento
Tema: a linguagem
Filósofo: Peirce, C. S. (1839 - 1914)
Obra: Semiótica e filosofia: textos escolhidos (1972)

Biografia

Peirce, C. S. (1839 – 1914), foi um filósofo americano. Seus trabalhos apresentam importantes contribuições à lógica, matemática, filosofia e, principalmente à semiótica. É também um dos fundadores do pragmatismo, junto com William James e John Dewey.

Habilidade: ler de modo filosófico textos de diferentes estruturas e registros

Tricotomia do signo

Habilidade: ler textos filosóficos de modo significativo

Semiótica e filosofia: textos escolhidos (1972)

Há três tipos de interesse que podemos ter em uma coisa. Em primeiro lugar, podemos ter um interesse primário na coisa ela própria. Em segundo lugar, podemos ter um interesse na coisa devido à sua reação com outras coisas. E, em terceiro lugar, podemos ter um interesse mediatório na coisa, na medida em que traz à mente uma ideia sobre a coisa. Ao fazer isso, vem a ser um signo [sign] ou representação. Há três tipos de signos. Em primeiro lugar, há semelhanças, ou ícones, que servem para transmitir ideias das coisas que representam simplesmente por imitação. Em segundo lugar, há indicações, ou índices, que mostram algo sobre as coisas, através de uma relação física com elas. É o que ocorre com uma placa que aponta para a estrada a ser seguida, ou um pronome relativo que é colocado bem em seguida ao nome da coisa que se tem a intenção de denotar, ou uma exclamação vocativa, “Ei, você aí!”, que age sobre os nervos da pessoa a que se dirige e força sua atenção. Em terceiro lugar há símbolos, ou signos genéricos, que se associam aos seus significados pelo uso. Isso inclui a maior parte das palavras, frases, discursos, livros e bibliotecas.
Vamos examinar mais de perto os vários usos desses três tipos de signos.
(...)
Uma progressão regular de um, dois, três pode ser observada nas três ordens de signos: semelhança, índice, símbolo. A semelhança não tem nenhuma conexão dinâmica com o objeto que representa, simplesmente ocorre que suas qualidades assemelham-se às do objeto e despertam sensações análogas na mente daqueles para quem são semelhanças. Mas, na verdade, não tem conexão com elas. O índice tem uma relação física com seu objeto, formam um par orgânico. Mas a mente que interpreta nada tem a ver com essa relação, exceto quando se dá conta dela, uma vez estabelecida. O símbolo está conectado a seu objeto em virtude da ideia na mente que usa símbolos, sem a qual tal conexão não existiria.

Dicionário Filosófico

Signo - é algo que é usado, referido ou tomado no lugar de outra coisa.


Habilidade:
elaborar por escrito o que foi apropriado de modo reflexivo

1 – Quais são os três tipos de interesse que podemos ter em uma coisa?
Faça a relação.
(A) em primeiro lugar
(B) em segundo lugar
(C) em terceiro lugar
( ) ter um interesse mediado na coisa
( ) ter um interesse na coisa devido à sua reação com outras coisas
( ) ter um interesse primário na coisa ela própria
2 – Qual, dos três tipos de interesse, vem a ser um signo [sign] ou representação?
( ) o de mediação ( ) o de reação ( ) o primário
3 – Neste sentido, quais são os três tipos de signos?
( ) semelhanças ou ícones; indicações ou índices; símbolos
( ) zodíaco; ascendentes e descendentes; constelações
4 – Complete com o signo correspondente:
a) os signos que servem para transmitir ideias das coisas que representam simplesmente por imitação são os (de) _______________________.
b) os signos que mostram algo sobre as coisas, através de uma relação física com elas são os _____________________________
c) os signos que se associam aos seus significados pelo uso são os _____________________
5 – Faça a relação com os respectivos exemplos.
a) Semelhança / Ícone
b) Índice
c) Símbolo
____________________

____________________

____________________

6 – Faça a relação:
a) Semelhança / Ícone
b) Índice
c) Símbolo
( ) está conectado a seu objeto em virtude da ideia na mente
( ) tem uma relação física com seu objeto
( ) não tem nenhuma conexão dinâmica com o objeto que representa
7 – (VESTIBULAR)
Uma definição geral de signo é “aquilo que está no lugar de outra coisa”. Pierce (1839- 1914) denominou a ciência geral dos signos de Semiótica e ofereceu uma classificação geral dos signos. Para Pierce, os signos podem ser classificados como ícone, índice e símbolo
(Cf. PIERCE, Charles Sanders. O que é um signo? Tradução de Ana Maria Guimarães Jorge. FACOM, n, 18, v. 2, 2007, p. 48 - Texto adaptado).

Sobre essa teoria dos signos, considere as seguintes afirmações:

I. O ícone é um signo que possui certo grau de semelhança com o objeto representado.
II. O índice significa uma relação causal entre o signo e o objeto representado.
III. Um símbolo representa necessariamente algo por uma proximidade natural.
IV. Um signo pode ser classificado, ao mesmo tempo e com a mesma função, como ícone e índice.
V. Todo símbolo é signo, mas nem todo signo é símbolo.

Estão corretas apenas

a - I, II e III.
b - I, III e IV.
c - I, II e V.
d - II, IV e V.
e - III, IV e V.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2021

Bloch - história

Para que serve a História?

Filosofia do Conhecimento
Tema: a história
Filósofo: Bloch, M. (1886 – 1944)
Obra: Apologia da História ou O Ofício de Historiador (1949)

Biografia

Bloch, M. (1886 – 1944) foi um historiador francês considerado o maior medievalista de todos os tempos, e, na opinião de muitos, o maior historiador do século XX. Defendeu o abandono de sequências pouco úteis de nomes e datas e estimulou uma maior reflexão sobre a relação entre homem, sociedade e tempo na construção da História.

Habilidade:
ler de modo filosófico textos de diferentes estruturas e registros

"Os homens se parecem mais com sua época do que com seus pais”. (Provérbio árabe)
Nós que aqui estamos, por vós esperamos - Marcelo Masagão
Memória do breve Século XX

Habilidade: ler textos filosóficos de modo significativo

Apologia da História ou O Ofício de Historiador (1949)
3. O tempo histórico

“A História é a ciência dos homens”, dissemos. É ainda vago demais. É preciso acrescentar: “dos homens, no tempo”. O historiador não apenas pensa “humano”. A atmosfera em que seu pensamento respira naturalmente é a categoria da duração. Decerto, dificilmente imagina-se que uma ciência, qualquer que seja, possa abstrair do tempo. Entretanto, para muitas dentre elas, que, por convenção, o desintegram em fragmentos artificialmente homogêneos, ele representa apenas uma medida. Realidade concreta e viva, submetida à irreversibilidade de seu impulso, o tempo da história, ao contrário, é o próprio plasma em que se engastam os fenômenos e como o lugar de sua inteligibilidade. O número dos segundos, anos ou séculos que um corpo radioativo exige para se transformar em outros corpos é, para a atomística, um dado fundamental. Mas que esta ou aquela dessas metamorfoses tenha ocorrido há mil anos, ontem ou hoje ou que deva se produzir amanhã, sem dúvida tal consideração interessaria ao geólogo, porque a geologia é, à sua maneira, uma disciplina histórica; ela deixa o físico frio como gelo. (...)
Ora, esse tempo verdadeiro é, por natureza, um continuum. É também perpétua mudança. Da antítese desses dois atributos provêm os grandes problemas da pesquisa histórica. Acima de qualquer outro, aquele que questiona até a razão de ser de nossos trabalhos. Sejam dois períodos sucessivos, recortados na sequência ininterrupta das eras. Em que medida – o vínculo que estabelece entre eles o fluxo da duração prevalecendo ou não sobre a dessemelhança resultante dessa própria duração – devemos considerar o conhecimento do mais antigo como necessário ou supérfluo para a compreensão do mais recente? (...)
A vida é muito breve, os conhecimentos a adquirir muito longos para permitir, até para o mais belo gênio, uma experiência total da humanidade. O mundo atual terá sempre seus especialistas, como a idade da pedra ou a egiptologia. A ambos se pede simplesmente para se lembrarem de que as investigações históricas não sofrem de autarquia. Isolado, nenhum deles jamais compreenderá nada senão pela metade, que só pode ser feita através de ajuda mútua, é a história universal.
Uma ciência, entretanto, não se define apenas por seu objeto. Seus limites podem ser fixados, também, pela natureza própria de seus métodos. Resta, portanto, nos perguntarmos se, segundo nos aproximemos ou afastemos do momento presente, as próprias técnicas da investigação não deveriam ser tidas por essencialmente diferentes. Isto é colocar o problema da observação histórica.

Dicionário Filosófico

História - é a ciência que estuda o ser humano e sua ação no tempo e no espaço concomitantemente à análise de processos e eventos ocorridos no passado.

Habilidade: elaborar por escrito o que foi apropriado de modo reflexivo

1 – Qual é a definição completa sobre o conceito de História que Bloch discorre no início do texto? 
2 – Quais são os dois conceitos fundamentais, apontados por Bloch, para o estudo da História?
( ) tempo e duração ( ) espaço e ocupação ( ) passado e futuro  ( ) verdade e fake news 
3 - “O tempo da História é o próprio plasma em que se engastam os fenômenos e o lugar de sua inteligibilidade”. O que “o tempo da História” não é?
( ) uma medida, uma convenção ( ) uma realidade concreta e viva
4 – Em uma palavra, qual é a disciplina histórica que Bloch cita como exemplo onde o tempo não é meramente um “número dos segundos, anos ou séculos”?
5 – Bloch diz que “a antítese desses dois atributos provém os grandes problemas da pesquisa histórica”. Quais são esses dois atributos?
( ) o tempo em História é continuidade e também sempre mudança
( ) o tempo em História é estático e também imutável
( ) o tempo em História é relativo e também absoluto
6 – Vejamos “dois períodos sucessivos, recortados na sequência ininterrupta das eras”: a Primeira Guerra Mundial (1914-1918) e a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Quais são os vínculos (históricos) que se estabelecem entre eles no fluxo da duração? Assinale a única alternativa incorreta.
( ) fracasso da Liga das Nações
( ) expansionismo
( ) militarismo
( ) guerra civil espanhola
( ) fundação do partido nazista
( ) crise de 1929
( ) guerra Japão contra a China
( ) invasões italianas (Etiópia e Albânia)
( ) Tratado de Versalhes
( ) início da guerra fria (EUA e URSS)
7 – Qual resposta você daria para Bloch para o seguinte questionamento: devemos considerar o conhecimento do mais antigo como necessário ou supérfluo para a compreensão do mais recente?
( ) sim, devemos considerar o conhecimento do mais antigo como necessário para a compreensão do mais recente.
( ) não, devemos considerar o conhecimento do mais antigo como supérfluo para a compreensão do mais recente.
8 – Impossível conhecer tudo. Por isso existem os especialistas em cada ramo do conhecimento humano. Bloch cita como exemplo a “egiptologia” que é uma ciência associada a arqueologia, a antropologia e a história antiga. Clique no link “Ciências auxiliares de História” e escreva três disciplinas acadêmicas (e para que servem) que usam fontes históricas e são vistas como auxiliares para investigação metodológica no estudo da História.
9 – Todas essas ciências não devem realizar seus estudos de forma isolada. Todas devem se ajudar mutualmente para qual objetivo?
( ) contribuir para uma história universal
( ) contribuir para uma história local (regional)
( ) contribuir para uma história do país
10 – No último parágrafo Bloch nos lembra sobre metodologias em História (técnicas de pesquisa, investigação) e insere o problema da “observação histórica”. Faça uma pesquisa (investigação) histórica sobre sua vida até os cinco anos de idade (na qual temos poucas lembranças seguras). Cite ao menos cinco fatos históricos. Para isto utilize as fontes históricas (materiais e imateriais) para corroborarem o relato colocando as fontes (fotos, documentos, relatos dos pais ou parentes, vídeos, etc.) em anexo.

terça-feira, 18 de agosto de 2020

Hegel - filosofia

Como se ensina e aprende filosofia?

Filosofia do Conhecimento
Tema: a filosofia
Filósofo: Hegel (1770 – 1831)
Obra: Sobre o Ensino de Filosofia (1812)

Biografia

Hegel (1770 – 1831) foi um filósofo alemão. Era fascinado pelas obras de Spinoza, Kant e Rousseau, assim como pela Revolução Francesa. Muitos consideram que Hegel representa o ápice do idealismo alemão do século XIX, que teve impacto profundo no materialismo histórico de Karl Marx.

Habilidade: ler de modo filosófico textos de diferentes estruturas e registros

Série Merlí - Netflix

Habilidade: ler textos filosóficos de modo significativo

Sobre o Ensino de Filosofia (1812)
II - Método

Em geral, distingue-se o sistema filosófico com as suas ciências particulares e o próprio filosofar. Segundo a mania moderna, sobretudo da pedagogia, não importa tanto instruir-se no conteúdo da filosofia quanto aprender a filosofar sem conteúdo; isto significa mais ou menos: é preciso viajar e viajar sempre, sem chegar a conhecer as cidades, os rios, os países, os homens, etc. Em primeiro lugar, quando se conhece uma cidade e, em seguida, se chega a um rio, a outra cidade, etc., aprende-se, sem mais, deste modo a viajar, e não só se aprende, mas efetivamente já se viaja. Assim, ao chegar-se a conhecer o conteúdo da filosofia, aprende-se não só o filosofar, mas já efetivamente se filosofa. Também o fim do próprio aprender a viajar seria apenas chegar a conhecer cidades, etc., o conteúdo. 
Em segundo lugar, a filosofia contém os mais altos pensamentos racionais sobre os objetos essenciais, contém o universal e o verdadeiro dos mesmos; é de grande importância familiarizar-se com este conteúdo e acolher na própria cabeça tais pensamentos. O comportamento tristonho, simplesmente formal, a perene busca e vagabundagem sem conteúdo, o argumentar ou especular assistemático, tem como consequência a vacuidade de conteúdo, o vazio dos pensamentos nas cabeças, pois nada podem. (...) O filosofar assistemático é um pensar fortuito, fragmentário, e a consequência é justamente a alma formal para o verdadeiro conteúdo. 
Em terceiro lugar, o procedimento no conhecimento de uma filosofia rica de conteúdo não é nenhum outro a não ser a aprendizagem. A filosofia deve ensinar-se e aprender-se, como qualquer outra ciência. (...) Por muito que o estudo filosófico seja em si e para si um fazer por si mesmo, é igualmente uma aprendizagem – a aprendizagem de uma ciência já existente, formada. Esta é um patrimônio de conteúdo adquirido, composto, elaborado; este bem hereditário deve ser adquirido pelo indivíduo, isto é, ser aprendido. (...) 
As ciências filosóficas contêm os verdadeiros pensamentos universais dos seus objetos; são o produto resultante do trabalho do gênio pensante de todas as épocas; tais pensamentos verdadeiros ultrapassam o que um jovem não formado produz com o seu pensar, na mesma medida em que aquele acervo de trabalho genial excede o esforço de semelhante jovem. (...) 
Uma vez cheia a cabeça de pensamentos, terá então também a possibilidade de ela própria fazer avançar a ciência e de lhe conquistar uma verdadeira originalidade; (...); há que orientar o estudo filosófico essencialmente para este ponto de vista a fim de assim algo se aprender, a ignorância se afugentar, a cabeça vazia se encher de pensamentos e conteúdo e se expulsar a peculiaridade natural do pensar, isto é, a contingência, o arbítrio e a particularidade da opinião. 

Dicionário Filosófico

Filosofia - "A investigação filosófica consiste em repensar o já pensado, para pensar o ainda não pensado." Heidegger

Habilidade: elaborar por escrito o que foi apropriado de modo reflexivo

1 – Quando você viaja conhece o local visitado ou também aprende a viajar?
2 – De acordo com o primeiro parágrafo Hegel conclui que:
( ) ao conhecer o conteúdo da filosofia, aprende-se também o filosofar
( ) ao filosofar espontaneamente aprenderá o conteúdo da filosofia
3 – Faça a relação de acordo com o texto. 
(A) Aprender a filosofar 
(B) Aprender o conteúdo da filosofia 
( ) Aprender a viajar 
( ) Aprender o local visitado 
4 – Ainda de acordo com o filósofo alemão, o que a filosofia contém de importante? 
( ) A filosofia contém os mais altos pensamentos racionais sobre os objetos essenciais, contém o universal e o verdadeiro dos mesmos.
( ) A filosofia contém os mais altos pensamentos experimentais sobre os objetos concretos, contém o particular e o subjetivo dos mesmos.
5 – Qual é a consequência de quem não estuda os conteúdos filosóficos? 
( ) pensamentos fragmentados, fortuitos e contingentes e meramente opinião 
( ) pensamentos sistematizados, pois pensará de forma lógica para avançar a ciência com originalidade 
6 – Portanto, de acordo com a sequência de leitura, o conteúdo filosófico deve ser: 
( ) rejeitado ( ) aprendido ( ) descartado ( ) alijado 
7 – Qual é a consequência de quem estuda os conteúdos filosóficos? 
( ) pensamentos fragmentados, fortuitos, contingentes e meramente opinião 
( ) pensamentos sistematizados e lógicos para avançar a ciência com originalidade

domingo, 12 de julho de 2020

Anselmo - argumento

A existência de Deus pode ser provada por meio de um raciocínio lógico?


Filosofia do Conhecimento
Tema: argumentação 
Filósofo: Anselmo (1033 - 1109)
Obra: Proslógio

Biografia

Anselmo (1033 - 1109) – filósofo e prelado da Igreja, exerceu enorme influência sobre a teologia ocidental e é famoso principalmente por ter criado o argumento ontológico para a existência de Deus.

Habilidade: ler de modo filosófico textos de diferentes estruturas e registros


INTRODUÇÃO À LÓGICA - Canal Alimente o Cérebro

INTRODUÇÃO À LÓGICA - Canal Alimente o Cérebro
A definição de Argumento

Habilidade: ler textos filosóficos de modo significativo

Proslógio

Capítulo II - Que Deus existe verdadeiramente

Então, ó Senhor, tu que nos concedeste a razão em defesa da fé, faze com que eu conheça, até quanto me é possível, que tu existes assim como acreditamos, e que és aquilo que acreditamos. Cremos, pois, com firmeza, que tu és um ser do qual não é possível pensar nada maior. Ou será que um ser assim não existe porque "o insipiente disse, em seu coração: Deus não existe"? (Salmos 13,1). Porém, o insipiente, quando eu digo: "o ser do qual não se pode pensar nada maior", ouve o que digo e o compreende. Ora, aquilo que ele compreende se encontra em sua inteligência, ainda que possa não compreender que existe realmente. Na verdade, ter a ideia de um objeto qualquer na inteligência, e compreender que existe realmente, são coisas distintas. Um pintor, por exemplo, ao imaginar a obra que vai fazer, sem dúvida, a possui em sua inteligência; porém, nada compreende da existência real da mesma, porque ainda não a executou. Quando, ao contrário, a tiver pintado, não a possuirá apenas na mente, mas também lhe compreenderá a existência, porque já a executou. O insipiente há de convir igualmente que existe na sua inteligência "o ser do qual não se pode pensar nada maior", porque ouve e compreende essa frase; e tudo aquilo que se compreende encontra-se na inteligência. Mas "o ser do qual não é possível pensar nada maior" não pode existir somente na inteligência. Se, pois, existisse apenas na inteligência, poder-se-ia pensar que há outro ser existente também na realidade; e que seria maior. Se, portanto, "o ser do qual não é possível pensar nada maior" existisse somente na inteligência, este mesmo ser, do qual não se pode pensar nada maior, tornar-se-ia o ser do qual é possível, ao contrário, pensar algo maior: o que, certamente, é absurdo. Logo, "o ser do qual não se pode pensar nada maior" existe, sem dúvida, na inteligência e na realidade. 

Dicionário Filosófico

Argumento – Lógica é o estudo de argumentos. Um argumento é uma sequência de enunciados na qual um dos enunciados é a conclusão e os demais são premissas, as quais servem para provar ou, pelo menos fornecer alguma evidência para a conclusão. As premissas e a conclusão de um argumento são sempre enunciados ou proposições – isto é, significados ou ideias expressáveis por sentenças declarativas. (John Nolt) 

Habilidade: elaborar por escrito o que foi apropriado de modo reflexivo

Um argumento ocorre somente quando se pretende sustentar ou provar uma conclusão, a partir de um conjunto de premissas. Esse propósito é frequentemente expresso pelo uso de indicadores de inferência. Indicadores de inferência são palavras ou frases utilizadas para assinalar a presença de um argumento. Eles são de duas espécies: indicadores de premissas, os quais assinalam que a sentença na qual eles se prefixam é uma premissa; e indicadores de conclusão, os quais assinalam que a sentença que os contêm ou nos quais eles se prefixam é uma conclusão. (John Nolt) 

Indicadores de premissa
Pois
Desde que
Como
Porque
Visto que

Indicadores de conclusão
Portanto
Assim
Daí
Logo
Então

1 - Nos argumentos seguintes identifique a premissa e a conclusão. 
a) O mundo é infinito segundo o tempo e o espaço. (proposição 1) 
Então, o mundo não tem limite. (proposição 2) 
Premissa: ______ 
Conclusão: ______ 
b) Tudo no mundo é constituído do simples. (proposição 1) 
Pois, nada é realizado pelo composto. (proposição 2) 
Premissa: ______ 
Conclusão: ______ 
c) Não há liberdade. (proposição 1) 
Visto que, tudo no mundo é determinado. (proposição 2) 
d) Na série das causas do mundo, há um ente necessário qualquer. (proposição 1) 
Assim, nada é contingente (casual). (proposição 2) 
e) Existe na mente de todo homem a ideia de um ser que não se pode pensar outro maior. (proposição 1)
Existir só na mente é menos perfeito do que existir na mente e também na realidade. (proposição 2)
Se o ser maior do que o qual não se pode pensar outro só existisse na mente seria menor do que qualquer outro que também existisse na realidade. (proposição 3)
Portanto, o ser do qual não se pode pensar outro maior deve existir também na realidade. (proposição 4) 
Logo, Deus existe e esse ser é o mais perfeito de todos. (proposição 5) 
Premissa 1: ______ 
Premissa 2: ______ 
Premissa 3: ______ 
Conclusão 1: ______ 
Conclusão 2: ______ 
2 - Faça um argumento contento ao menos uma premissa e uma conclusão sobre a questão de quando começa a vida.

segunda-feira, 15 de junho de 2020

Ghiraldelli - filosofia

Filosofia, o que é?

Filosofia do Conhecimento
Tema: a filosofia
Filósofo: Ghiraldelli, P. Jr. (1957)
Obra: Filosofia, o que é? (Artigo de 2008)

Biografia

Paulo Ghiraldelli Junior (1957) é um filósofo brasileiro. Filho e neto de homens de letras, ele adotou a vida intelectual muito jovem, trabalhando em jornais e, depois, em escolas de todo tipo e lugar. Possui uma definição peculiar sobre a função da filosofia, que é a desbanalização do banal. 

Habilidade: Ler de modo filosófico textos de diferentes estruturas e registros

Quino - Mafalda

Habilidade: ler textos filosóficos de modo significativo

Filosofia - O que é?

A filosofia é uma atividade que pode ser descrita de dupla maneira, em termos gerais e em termos técnicos. 
Em termos gerais a filosofia é a “desbanalização do banal”. Em termos técnicos ela é a investigação de problemas atinentes à identificação dos mecanismos – se é que existem – que fazem com que nós tomemos o aparente pelo real (Danto). 
A desbanalização do banal é levada a cabo pelo filósofo por meio da atividade de “redescrição” (Rorty) de situações, eventos, pessoas, nações, épocas, etc.. O que chama a atenção raramente é o melhor objeto para a filosofia. Seu objeto preferido é aquilo que não chama a atenção, que se tornou corriqueiro e foi banalizado. Redescrevendo esse objeto o filósofo o desbanaliza, arrancando-o da condição de elemento que é atravessado pelo olhar sem ser visto. Eis que então que ele ganha a “admiração ou espanto” (Aristóteles). 
A investigação e identificação dos mecanismos de ilusão são levadas adiante pelo filósofo que entende que não se trata de mostrar o erro, que é psicológico e pode ser corrigido, e sim a ilusão, que é inerente à estrutura da realidade, que é necessária e universal (a “Caverna”, diz Platão). 
Em ambos os casos a filosofia tende a produzir explicações por meio da identificação de razões e causas, afastando sequências narrativas que não são produzidas dessa forma, e que seriam míticas, aquelas sequências cujos elementos da narrativa se encadeiam de forma mágica. Em ambos os casos a tendência do filósofo é caminhar no sentido de uma narrativa de segunda ordem, ou seja, um discurso que ou justifica outros ou os fundamenta. 
No segundo caso, pode surgir uma espécie de “nostalgia do futuro” ou “saudade de uma época nunca vivida”. É que alguns filósofos entendem que a identificação dos mecanismos de ilusão só é possível a partir de um ponto de vista utópico, caso contrário, dado a inerência e abrangência da ilusão, ela não poderia jamais ser identificada. Nesse caso, a atividade filosófica é sempre uma atividade que se alia facilmente à imaginação, ainda que boa parte dos filósofos (em especial os modernos) tenha pouco apreço pela imaginação, uma vez que os filósofos tendem a associar a imaginação ao devaneio e falta de rigor. 
Parte dos filósofos que negam que deveriam falar em utopias assim agem por causa de que, na modernidade, podemos apontar para o casamento entre utopia e pensamento histórico (Habermas). Assim, o mundo sem ilusão (de caráter social ou individual), com uma estrutura do real não mais prenhe de qualquer mecanismo enganador, teria de ser construído efetivamente. No plano individual isso poderia ser tomado como situações de renascimento ou reconstrução do “eu”. No plano social isso implicaria em atividades de reforma ou revolução. Na defesa das vias adotadas para a transformação há um bom gasto de energia dos filósofos. 
Sendo assim, a filosofia, que originalmente tinha a ver com a “amizade pelo saber” (do grego Philo + Sophia), se torna ela própria uma espécie de saber, que alia redescrição e normatividade em um só corpo narrativo em geral global e de cunho teórico e prático. 

Dicionário Filosófico

Filosofia (do grego philos: que ama + sophia: sabedoria, «que ama a sabedoria») é a investigação crítica e racional dos princípios fundamentais. 

Habilidade: elaborar por escrito o que foi apropriado de modo reflexivo

1 – O que significa, etimologicamente, a palavra filosofia? 
Filo significa: ____________________________ 
Sofia significa: ___________________________ 
2 – A filosofia é uma atividade que pode ser descrita de dupla maneira, em termos gerais e em termos técnicos. 
a) Em termos gerais a filosofia é: 
b) Em termos técnicos a filosofia é (Segundo Danto): 
3 – Qual objeto chama a atenção do filósofo? 
( ) o que tornou-se espetacular, incomum, que foi divinizado 
( ) o que tornou-se corriqueiro, comum, que foi banalizado 
4 – Para ganhar a admiração ou espanto e para desbanalizar o objeto o filósofo precisa: 
( ) descrevê-lo ( ) redescrevê-lo 
5 – Qual pergunta corriqueira, comum, banal, foi realizada por Mafalda na História em Quadrinhos de Quino?
Quino - Mafalda
6 – A outra tarefa do filósofo é a investigação e identificação dos mecanismos de ilusão (o aparente pelo real) que é inerente à estrutura da realidade. 
a) Na “Alegoria da Caverna” (A República) de Platão, o que os homens pensam que é a realidade? 
b) No filme Matrix, o que os homens pensam que é a realidade? 
7 – Portanto, em ambos os casos a filosofia tende a produzir: 
( ) explicações míticas; identificação de efeitos; narrações; formulações 
( ) explicações racionais; identificação de causas; justificações; fundamentações 
8 – Segundo Ghiraldelli, a segunda maneira de filosofar (identificação dos mecanismos de ilusão) leva alguns filósofos a aliar-se a: 
( ) a atividade da concentração 
( ) a atividade da imaginação 
9 – Assim, esses filósofos entendem que a identificação dos mecanismos de ilusão só é possível a partir de um: 
( ) ponto de vista da realidade 
( ) ponto de vista utópico 
10 – Os filósofos que vão por outras vias construindo efetivamente um pensamento histórico esperam: 
a) No plano individual: 
( ) situações de rejuvenescimento ou reconstrução do “outro” 
( ) situações de renascimento ou reconstrução do “eu” 
b) No plano social: 
( ) reformas ou revoluções 
( ) manter o mundo como está 
11 – Ao final, Ghiraldelli afirma que a filosofia originalmente tinha a ver com a “amizade pelo saber” mas, que agora, ela própria é uma espécie de saber. Por quê?
12 - Faça, você mesmo, uma atividade de "desbanalização do banal" criando um questionamento conforme o exemplo da Mafalda.

domingo, 28 de abril de 2019

Aristóteles - silogismo

É possível a invenção de um método que nos ensine a argumentar acerca de todas as questões propostas?

Filosofia do Conhecimento
Tema: o silogismo
Filósofo: Aristóteles (384 – 322 a.C.)
Obra: Organon 

Biografia

Aristóteles (384 – 322 a.C.). Foi um filósofo grego, aluno de Platão e professor de Alexandre, o Grande, é considerado um dos maiores pensadores de todos os tempos e criador do pensamento lógico.

Habilidade: ler de modo filosófico textos de diferentes estruturas e registros

Novo Telecurso - Publicado em 31 de out de 2012

Habilidade: ler textos filosóficos de modo significativo

Organon

A pragmática deste tratado  é a invenção de um método que nos ensine a argumentar acerca de todas as questões propostas, partindo de premissas prováveis, e a evitar, quando defendermos um argumento, dizer seja o que for que lhe seja contrário. Cumpre-nos, em primeiro lugar, definir o que é um silogismo e quais as suas variedades, a fim de entendermos o que é o silogismo dialético, uma vez que ele será o objeto da nossa investigação no tratado que se segue.
O silogismo  é um argumento em que, dadas certas proposições, algo distinto delas resulta necessariamente, pela simples presença das proposições aduzidas. O silogismo é uma demonstração quando parte de premissas evidentes e primeiras ou de premissas tais que, o conhecimento que delas temos, radica nas premissas primeiras e evidentes. É dialético o silogismo que conclui a partir de premissas prováveis. São evidentes e primeiras as coisas que garantem a sua certeza, não por outras, mas por elas mesmas, porque, nos princípios da ciência, não devemos inquirir o porquê fora deles, mas cada um destes princípios deve achar garantia em si mesmo. Prováveis são as opiniões recebidas por todos, ou pela maioria, ou pelos sábios, e, entre estes últimos, pelos mais notáveis e pelos mais ilustres. Erístico é o silogismo que assenta em opiniões que, na aparência prováveis, na realidade não são, e também o silogismo que só na aparência conclui a partir de opiniões prováveis, ou de aparência provável. Nem tudo o que parece provável é provável, pois nada do que se considera provável apresenta à primeira vista uma garantia de falsidade, como se verifica com os princípios erísticos, porque nestes a falácia é de imediata revelação, e isto a maior parte das vezes, mesmo para os espíritos dotados de medíocre entendimento. Por isso, dos silogismos erísticos, a que acabamos de nos referir, também designamos o primeiro por silogismo, mas o outro designamo-lo por silogismo erístico e não simplesmente por silogismo, pois ele parece concluir, embora não conclua. 
(...)
Prosseguindo, cumpre-nos enumerar e descrever as utilidades que se podem extrair deste tratado. Por três formas é útil: como exercício, nos encontros quotidianos casuais, e nas ciências filosóficas. Que seja útil como exercício é por si mesmo óbvio, pois que o domínio deste método nos capacitará mais para argumentar acerca do tema proposto. É também útil nos fortuitos encontros do dia a dia, porque, uma vez inventariadas as opiniões do vulgo, poderemos confrontar-nos com ele no campo das suas próprias opiniões, e não no campo dos dogmas, que lhe são estranhos, deitando abaixo todo o argumento que nos não pareça bem fundamentado. Quanto ao estudo das ciências filosóficas, a possibilidade de trazer os argumentos pró e contra as diaporias levar-nos-á a descobrir com maior facilidade a verdade e o erro em cada caso.

Dicionário Filosófico
Dedução - análise lógica utilizada para construir argumentos, utilizando premissas/argumentos para obter uma conclusão. A conclusão torna explícito um conhecimento já existente nas premissas. Para utilizar corretamente o processo de dedução, é fundamental verificar a validade do pensamento, para que este não seja uma falácia.
Silogismo – (conexão de ideias, raciocínio), é um termo filosófico com o qual Aristóteles designou a conclusão deduzida de premissas, a argumentação lógica perfeita. 
É um argumento dedutivo constituído de três proposições declarativas (duas premissas e uma conclusão) que se conectam de tal modo que, a partir das duas primeiras (as premissas), é possível deduzir uma conclusão.

Habilidade: elaborar por escrito o que foi apropriado de modo reflexivo

1 – De acordo com o texto o que é um silogismo?
2 – Ainda de acordo com o texto o que um silogismo erístico?
3 – De acordo com Aristóteles aprender o raciocínio silogístico será de utilidade em três ocasiões. Faça a relação.
a) útil como exercício
b) útil nos encontros casuais
c) útil no estudo filosófico
(   ) descobrir a verdade
(   ) destruir argumentos não bem fundamentados
(   ) aumento na capacidade de argumentação
4 – Faça um silogismo de acordo com o exemplo.


Regra

Todo A é B.
C é A.
Logo, C é B.

Exemplo
Termo maior: mortal (B)
Termo médio: homem (A)
Termo menor: Sócrates (C)

Todo homem(A) é mortal(B). – premissa maior
Sócrates(C) é  homem(A). – premissa menor
Logo, Sócrates(C) é mortal(B). conclusão

terça-feira, 2 de outubro de 2018

Bergson - duração / intuição

Através de imagens e metáforas, aquilo que não pode ser dito de maneira analítica, pode ser comunicado?

Filosofia do Conhecimento
Tema: o método intuitivo
Filósofo: Henri Bergson (1859 – 1941)
Obras: Ensaio sobre os dados Imediatos da Consciência (1889); A introdução da Metafísica (1903); O Pensamento e o Movente (1922)

Biografia

Bergson (1859 - 1941) foi um filósofo francês. Sua obra é de grande atualidade e tem sido estudada em diferentes disciplinas. Recebeu o Nobel de Literatura de 1927.

Habilidade: ler de modo filosófico textos de diferentes estruturas e registros

De acordo com o site "Calendário 365" (https://www.calendario-365.com.br/lua/fases-da-lua.html)
em 2 de outubro de 2018 a Lua atingiu seu último quarto em 06:47:15 horas.

Habilidade: ler textos filosóficos de modo significativo

Ensaio sobre os dados Imediatos da Consciência (1889)

CAPÍTULO II
Da multiplicidade dos estados de consciência:
A ideia de duração

É verdade que contamos os momentos sucessivos da duração e que, pelas suas relações com o número, o tempo nos surge, em primeiro lugar, como uma grandeza mensurável, completamente análogo ao espaço. Mas impõe-se então uma importante distinção. Digo, por exemplo, que acaba de transcorrer um minuto, e entendo por isto que um pêndulo, ao marcar os segundos, executou sessenta oscilações. Se represento as sessenta oscilações só de uma vez e com uma só apercepção do espírito, excluo por hipótese a ideia de uma sucessão: penso, não em sessenta toques que se sucedem, mas em sessenta pontos de uma linha fixa, simbolizando cada um, por assim dizer, uma oscilação do pêndulo. — Se, por outro lado, quero representar as sessenta oscilações sucessivamente, mas sem nada alterar ao seu modo de produção no espaço, deverei pensar em cada oscilação excluindo a lembrança da precedente, porque o espaço não conservou qualquer vestígio: mas, por isso mesmo, condenar-me-ei a ficar continuamente no presente; renunciarei a pensar numa sucessão ou numa duração. Finalmente, se conservar, juntamente com a imagem da oscilação presente, a lembrança da oscilação que a precedia, acontecerá de duas uma: ou justaporei as duas imagens, e recaímos então na primeira hipótese; ou percepcioná-las-ei uma na outra, penetrando—se e organizando—se entre si como notas de uma melodia, de maneira a formar o que chamaremos uma multiplicidade indiferenciada ou qualitativa sem qualquer semelhança com o número: obterei assim a imagem da duração pura, mas também me terei afastado por completo da ideia de um meio homogêneo ou de uma quantidade mensurável.

A introdução da Metafísica (1903)

Certamente os conceitos são indispensáveis [à metafísica], pois todas as outras ciências trabalham geralmente com conceitos, e a metafísica não pode dispensar as outras ciências. Mas ela só é propriamente ela mesma quando ultrapassa o conceito, ou ao menos, quando se liberta de conceitos rígidos e pré-fabricados para criar conceitos diferentes daqueles que manejamos habitualmente, isto é, representações flexíveis, móveis, quase fluidas, sempre prontas a se moldarem sobre as formas fugitivas da intuição. [...] Nossa duração pode ser-nos apresentada diretamente na intuição, que pode ser sugerida indiretamente por imagens, mas que não poderá – se tomamos a palavra conceito em seu sentido próprio – se encerrar numa representação conceitual.

O Pensamento e o Movente (1922)

[...] A mudança pura, a duração real, é algo espiritual ou impregnado de espiritualidade. A intuição é o que atinge o espírito, a duração, a mudança pura. Sendo o espírito seu domínio próprio, ela desejaria ver nas coisas, mesmo materiais, sua participação na espiritualidade.

Dicionário Filosófico

Duração - de acordo com Bergson é o correr do tempo uno e interpenetrado. Os momentos temporais somados uns aos outros formam um todo indivisível. Opõe-se ao tempo físico ou sucessão que é passível de ser calculado e analisado. O tempo vivido é incompreensível para a inteligência lógica por ser qualitativo, enquanto o tempo físico é quantitativo.

Intuição - significa para Bergson apreensão imediata da realidade por coincidência com o objeto. Em outras palavras, é a realidade sentida e compreendida absolutamente de modo direto, sem utilizar as ferramentas lógicas do entendimento: a análise e a tradução. Isto é, a intuição é uma forma de conhecimento que penetra no interior do objeto de modo imediato sem o ato de analisar e traduzir.

Viviane Mosé - Ser ou não ser - Fantástico
Completo em: https://www.youtube.com/watch?v=N8V7RQgdjVI&t=358s


Bergson: duração e intuição
Franklin Leopoldo e Silva
Casa do Saber - 02/02/2017

Habilidade: elaborar por escrito o que foi apropriado de modo reflexivo

1 – No primeiro texto Bergson usa a imagem do pêndulo para descrever as sessenta oscilações para marcar um minuto, assim temos a noção de sucessão; se represento as oscilações através de sessenta pontos e fixo minha atenção somente no último excluindo a lembrança do anterior, tenho o estado presente sem a ideia de sucessão. Porém, “se conservar, juntamente com a imagem da oscilação presente, a lembrança da oscilação que a precedia, acontecerá de duas uma”:
(   ) ou ao justapor as duas imagens recaímos na primeira hipótese: voltamos a ideia de sucessão; ou temos a percepção da multiplicidade qualitativa sem qualquer semelhança com o número: obteremos assim a imagem da duração pura.
(  ) ou ao justapor as duas imagens recaímos na segunda hipótese: focamos só no presente; ou temos a percepção da multiplicidade quantitativa semelhante com o número: obteremos assim a imagem da sucessão pura.
2 – No segundo texto Bergson exalta a importância dos conceitos, porém clama para que a metafísica:
(   ) vá para além dos conceitos, se liberte dos conceitos rígidos, crie novos conceitos, faça representações flexíveis, fruídas, moldáveis, intuitivas, utilize imagens e metáforas.
(  ) fixe-se no rigor dos conceitos, retome os conceitos gregos clássicos, busque o absoluto, use a cognição do raciocínio dedutivo, utilize a lógica e a matemática.
 3 – No terceiro texto Bergson defende que a intuição atinge a:
(   ) espiritualidade                 (   ) materialidade                   (   ) corporeidade
4 – De acordo com o dicionário filosófico o que é a duração para Bergson?
5 – De acordo com o dicionário filosófico o que significa a intuição para Bergson?
6 – Sobre a duração.
Faça o mesmo procedimento da imagem sobre as fases da Lua no início desta postagem, só que com o ocaso (pôr-do-sol). Entre em um site que calcule o horário do pôr-do-sol de sua cidade (pode ser este: http://press.iasdmoema.org.br/index.php/horario-por-do-sol/), anote o dia e o momento exato (exemplo: no dia 3 de outubro de 2018 na cidade de São Paulo o pôr-do-sol deu-se as 18h06min.). No horizonte registre três imagens (18h01min; 18h06min e 18h11min). Registre sua observação sobre a duração do ocaso no tempo físico captado pela inteligência (18h06min) e, também, sua observação sobre a duração do tempo vivido (das 18h01min até 18h11min) captado pela intuição qualitativa da experiência estética.
7 – Sobre a intuição.
Leia a história da criação da Tabela Periódica dos Elementos de Mendeleiev como, por exemplo, neste site e responda:
a)      Qual foi a intuição de Mendeleiev para organizar os elementos químicos conhecidos?
b)      A sua intuição encontrava dificuldades para a sistematização do conhecimento em uma tabela. Um sonho o ajudou. O que Mendeleiev sonhou?

sexta-feira, 3 de março de 2017

Schopenhauer - representação

Ler de modo filosófico textos de diferentes estruturas e registros (PCNs, página 64)

Chegada do campeonato de submarinos

Filosofia do Conhecimento
Tema: a representação fenomênica
Questão Central: O que é o mundo?
Filósofo: Schopenhauer (1788-1860)
Obra: O Mundo como Vontade e Representação (1818)

Biografia

Schopenhauer – (1788 - 1860) foi um filósofo alemão conhecido pela sua obra principal "O mundo como vontade e representação" (1818), em que ele caracteriza o mundo fenomenal como o produto de uma vontade metafísica.

Ler textos filosóficos de modo significativo (PCNs)

O Mondo como Vontade e Representação (1818)

O mundo é a minha representação: eis uma verdade que vale para cada ser vivente e cognoscitivo, mesmo se somente o homem é capaz de acolhê-la na sua consciência reflexa e abstrata; e quando ele verdadeiramente o faz, a meditação filosófica nele penetrou.
Torna-se claro e certo para ele que não conhece nem o Sol nem a terra, mas possui um olho que vê o Sol, a mão que sente a terra; que o mundo que o circunda não existe senão como representação – vale dizer, sempre e somente em relação a um outro, àquele que o representa, que é ele mesmo.
(...)
Logo, nenhuma verdade é mais certa e menos necessitada de uma prova do que esta: tudo o que existe para o conhecimento – ou seja, este mundo inteiro – é somente objeto em relação ao sujeito, intuição de quem intui. Em uma palavra: representação.
Naturalmente, isso vale para o presente, assim como para todo o passado e para todo o futuro, para o que está mais distante, assim como para o que está perto: porque vale também para o tempo e o espaço, somente nos quais tudo é distinguido. Tudo quanto pertence e pode pertencer ao mundo tem inevitavelmente como condição o sujeito e existe somente para o sujeito. O mundo é representação.

Dicionário Filosófico

Representação fenomênica – A expressão indica a realidade inteira, enquanto objeto de conhecimento por parte de um sujeito. Tudo aquilo que é conhecido existe somente em relação ao indivíduo que conhece; é uma intuição, uma representação mental.

Elaborar por escrito o que foi apropriado de modo reflexivo (PCNs)

1 – Segundo Schopenhauer, o que é o mundo?
(   ) o mundo é minha representação                (   ) o mundo é minha apresentação
2 – O conhecimento que temos do mundo é somente em relação a quem?
(   ) a nós mesmos                   (   ) aos outros
3 – Portanto, qual é a verdade para tudo o que existe para o conhecimento?
(   ) tudo o que existe para o conhecimento é somente objeto em relação ao sujeito, ou seja, representação
(   ) tudo o que existe para o conhecimento é somente objeto em relação ao outro, ou seja, apresentação
4 – Pesquise no Dicionário Filosófico o que é a representação fenomênica para Schopenhauer.

Publicado em 17 de out de 2015
O Mundo e a Percepção do Mundo ● Clóvis de Barros Filho