Wellington Sversut - Bauru - Brasil

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Vesalius – medicina moderna

A medicina deve ser uma ciência experimental?

Filosofia das Ciências
Tema: a medicina moderna
Filósofo: Vesalius, A. (1514 - 1564)
Obra: De humani corporis fabrica (1543)

Biografia

Vesalius, A. (1514 – 1564) – foi um médico belga, considerado o “pai da anatomia moderna”. Foi o autor da publicação “De humani corporis fabrica”, um atlas de anatomia.

Habilidade: ler de modo filosófico textos de diferentes estruturas e registros

Filme: O Físico

Habilidade: ler textos filosóficos de modo significativo

De humani corporis fabrica (1543)

Vou deixar de lado as outras artes e dirigir minhas palavras apenas àquela que é responsável pela saúde da humanidade. Certamente, de todas as artes que o gênio humano descobriu, esta é de longe a mais útil, indispensável, difícil e laboriosa. … Embora tenham existido no passado três escolas médicas, a lógica, a empírica e a metódica, o objetivo daqueles que pertenciam a essas escolas era o mesmo, preservar a saúde e extirpar a doença. Dedicando a esse objetivo tudo que consideravam essencial à sua arte em suas respectivas escolas, utilizavam três meios para isso: o primeiro era um sistema de dieta; o segundo, a medicação, e o terceiro, a cirurgia. Este último deixa claro ainda mais do que os outros que a medicina significa acrescentar o que falta e retirar o que é supérfluo. A cirurgia nunca deixa de contribuir para o tratamento de uma doença quando a medicina oferece os meios que o tempo e a experiência mostraram ser o procedimento mais saudável. Essa tríplice abordagem da medicina foi igualmente familiar a médicos de todas as escolas e, na medida em que aplicavam suas próprias mãos nesse tipo de tratamento de acordo com a natureza dos sintomas, consideravam tão importante esse esforço quanto o estabelecimento de um regime dietético ou o conhecimento e a manipulação de medicamentos. (…)
Enquanto os médicos consideraram que apenas o tratamento das doenças internas deveria ser sua preocupação, acreditaram que o conhecimento das vísceras era tudo de que necessitavam e negligenciaram a estrutura dos ossos, assim como os músculos, nervos, veias e artérias que percorrem os ossos e músculos, como se fossem irrelevantes para o tratamento. Mais ainda, quando o tratamento foi atribuído a barbeiros, não apenas o verdadeiro conhecimento das vísceras se extinguiu na profissão médica, mas também o trabalho da dissecação desapareceu por completo. Os médicos não realizavam cirurgias, e aqueles encarregados do trabalho manual eram ignorantes demais para compreender o que os professores de dissecação tinham escrito.

Dicionário Filosófico

Empiria – conjunto de dados ou acontecimentos conhecidos através da experiência, por intermédio das faculdades sensitivas (e não por meio de qualquer necessidade lógica ou racional).

Habilidade: elaborar por escrito o que foi apropriado de modo reflexivo

1 – De acordo com o texto, qual é a ciência que é responsável pela saúde da humanidade?
( ) filosofia ( ) sociologia ( ) medicina ( ) antropologia
2 – Quais são as quatro características desta ciência, citadas no texto?
3 – No passado esta ciência possuía três escolas. Quais são elas?
4 – Todas estas escolas possuíam o mesmo objetivo. Qual?
5 – Para conseguir atingir este objetivo utilizavam três meios para isso. Quais são estes três meios?
6 – Para preservar a saúde e extirpar a doença um dos meios utilizados era a cirurgia. O que isto significa para a medicina?
( ) significa acrescentar o que falta e retirar o que é supérfluo
( ) significa retirar o que falta e acrescentar o que é supérfluo
7 – A cirurgia pode contribuir para o tratamento de uma doença, porém a medicina deve oferecer quais exigências para um melhor procedimento?
( ) o tempo e a experiência ( ) o hospital e a clínica ( ) o remédio e o exame
8 – Naquela época, segundo Vesalius, o que os médicos negligenciaram no tratamento das doenças porque consideravam irrelevantes?
( ) a estrutura dos ossos, os músculos, os nervos, as veias e as artérias
( ) o estudo das vísceras, o coração, o sistema digestivo, o pulmão e os rins
9 – “O verdadeiro conhecimento das vísceras e da dissecação se extinguiu na profissão médica.” Estes procedimentos foram repassados para os barbeiros.
Pesquise o que era e o que fazia o barbeiro-cirurgião na Idade Média.
10 – UNIVAG 2017
Até o século XVI, a descrição do corpo humano baseava-se nos textos do grego Hipócrates (séc. V-IV a.C.) e do romano Galeno (séc. II d.C.). O flamengo Andreas van Wesel, conhecido pelo nome latinizado de Andreas Vesalius, mudou essa visão com sua obra De humani corporis fabrica (“A fábrica do corpo humano”), publicada em 1543.
O trabalho de Vesalius foi favorecido:
( ) pela filosofia iluminista, marco inicial da metodologia da prática dos médicos, e pelo fim das regras da Inquisição, que proibiam os estudos de anatomia.
( ) pelo surgimento das igrejas protestantes, defensoras da dissecação de cadáveres, e pela formação dos Estados modernos, que se opunham à cultura clássica.
( ) pela valorização do estudo dos textos antigos, fundamentais para o conhecimento teórico, e pelo mecenato da Igreja católica, que apoiava as práticas científicas.
( ) pelas investigações feitas em animais e transferidas, por analogia, para o ser humano, e pelo clima de liberdade intelectual que caracterizava as universidades medievais.
( ) pelos valores renascentistas, baseados no racionalismo e na experimentação, e pela invenção da imprensa, que facilitou a difusão das novas ideias e dos desenhos.

Agrippa - micro e macrocosmo

Existe uma relação entre o homem e o universo?

Filosofia das Ciências
Temas: microcosmo / macrocosmo
Filósofo: Agrippa H. C. (1486 – 1535)
Obra: Diálogo sobre o Homem

Biografia

Agrippa, H. C. (1486 – 1535) foi um intelectual alemão e um influente escritor do esoterismo da Renascença, nome maior da corrente do cristianismo hermético da época. Interessou-se por hermetismo, e diferentes práticas esotéricas, como teurgia e cabala cristã, goécia, alquimia, astrologia e também por outras práticas percursoras de movimentos rosacrucianos, teosóficos, etc.

Habilidade: ler de modo filosófico textos de diferentes estruturas e registros

Macro e Microcosmo

Macro e Microcosmo

Carl Sagan - Poeira das Estrelas

Nós somos feitos de poeira de estrelas

Ingredientes do corpo humano

Habilidade: ler textos filosóficos de modo significativo

Diálogo sobre o Homem

O homem é dito microcosmo, isto é, um mundo menor, porque tem em si tudo o que está contido no mundo maior: de fato, nele pode-se identificar o corpo que nasce da mistura dos elementos, o espírito celeste, a vida vegetativa das plantas, a sensibilidade dos animais e a razão, a mente angélica e a imagem de Deus.
Nele, nesse corpo material e terreno do homem, estão presentes, sob a forma das suas genuínas propriedades, os elementos: o fogo, o ar, a água e a terra. Ali está presente também um corpúsculo espiritual e etéreo que é o veículo da alma e que corresponde por analogia ao céu.
Ali está presente a vida vegetativa, que no homem desempenha tarefas semelhantes às que realiza nas plantas, exercendo a função nutritiva, a de crescimento e a reprodutiva. Está presente o sentido, seja externo, seja interno, dos animais; está presente um ânimo celeste dotado de razão e muito hábil. Está presente a participação do intelecto angélico e da mente divina.
(...)
De fato, o homem está em relação com todas as estrelas e os planetas. Nele estão presentes a estabilidade e a imutabilidade de intenções de Saturno; a clemência, a justiça e a realeza de Júpiter; a constância e a firmeza de ânimo de Marte; do Sol, o lume, a razão, o juízo que distingue o justo do injusto, a luz que purifica das trevas da ignorância; de Vênus, o amor e o desejo de crescimento e da própria multiplicação; de Mercúrio, a inteligência, a acuidade de engenho, o discurso racional, a pronta vivacidade dos sentidos; da Lua, o voltar-se para as coisas terrenas para conservar a vida e a capacidade de desenvolver o crescimento em si e nas outras coisas.
Por isso o homem é dito mundo menor, porque é o vínculo, o nó e a perfeição extrema do mundo maior. E, mesmo sendo dito mundo menor, o inteiro mundo maior e todos os mundos particulares estão obrigados a servi-lo.

Dicionário Filosófico

Microcosmo - o próprio homem como expressão do universo, do cosmo, sendo uma imagem diminuta do mundo. Versão menor, abreviada, de algo maior.

Macrocosmodesignação dada ao universo nas doutrinas que admitem uma correspondência entre cada uma das partes que o constituem e cada uma das partes que compõem o corpo humano.

Habilidade: elaborar por escrito o que foi apropriado de modo reflexivo

1 – De acordo com o texto de Agrippa quem é o microcosmo?
( ) a planta ( ) o inseto ( ) o mineral ( ) o homem
2 - Ainda no primeiro parágrafo, quais são as sete características que podemos identificar no microcosmo?
3 - Além dos quatro elementos (fogo, ar, água e terra) está presente também em nosso corpo um quinto elemento identificado como o veículo da alma. Qual é esse elemento?
( ) o coração ( ) um corpúsculo espiritual e etéreo ( ) o esfíncter ( ) o cérebro
4 - Agrippa diz que temos relação com os astros celestes. Faça a relação entre eles e nossas características.
(A) Saturno
(B) Júpiter
(C) Marte
(D) Sol
(E) Vênus
(F) Mercúrio
(G) Lua
( ) a conservação da vida e o crescimento
( ) a inteligência e a vivacidade dos sentidos
( ) o amor e a multiplicação
( ) a razão e o juízo
( ) a constância e a firmeza de ânimo
( ) a clemência e a justiça
( ) a estabilidade e a imutabilidade de intenções
5 - Este tipo de relação entre os astros e nós é considerada em nossos dias como pseudociência. Qual é a pseudociência que "relaciona a posição dos astros no céu, tanto no nascimento quanto diariamente, com fatos na Terra, incluindo os humores e destinos das pessoas"?
( ) geodesia ( ) astrologia ( ) astronomia ( ) astrofísica
6 - Ao final do texto Agrippa diz que somos o "mundo menor". O sentido do texto...
( ) inferioriza o homem, o diminui ( ) valoriza o homem, o exalta
7 - Conforme podemos ler no dicionário, "macrocosmo" é a totalidade do universo. De acordo com a reportagem da TV Cultura (Repórter ECO) quais são os seis elementos químicos essenciais para a vida presentes no universo?
8 - Conforme podemos ler no dicionário, "microcosmo" é  o próprio homem como expressão do universo. De acordo com o infográfico "Ingredientes do Corpo Humano" quais são os quatro elementos químicos essenciais para a vida e suas respectivas porcentagens?
9 - Como se conhece a composição química do universo? Através da técnica da:

Einstein - experimento mental

Qual é a importância das experiências mentais para as ciências?

Filosofia das Ciências
Tema: experimento mental
Filósofo: Einstein, A. (1879 - 1955)
Obra: A Evolução da Física (1938)

Biografia

Einstein, A. (1879 - 1955) foi um físico teórico alemão que desenvolveu a teoria da relatividade geral, um dos pilares da física moderna ao lado da mecânica quântica.

Habilidade: ler de modo filosófico textos de diferentes estruturas e registros

A física de Interestelar
Nerdologia

Experiência Metal - O Demônio de Maxwell
Ciência Todo Dia

Experiência Metal - O Paradoxo dos Gêmeos
Ciência Todo Dia

Experiência Metal - O Gato de Schrödinger
Ciência Todo Dia

Experiência Metal - Relatividade Geral
Ciência Todo Dia

Habilidade: ler textos filosóficos de modo significativo

A Evolução da Física (1938)
Dentro e Fora do Elevador

A lei da inércia marca o primeiro grande avanço da física; é na realidade o seu começo. Foi apreendida pela contemplação de uma experiência idealizada – um corpo em perpétuo movimento, sem nenhum atrito, sem nenhuma força externa atuando nele. Este exemplo, como tantos outros, mostra-nos a importância das experiências idealizadas. Vamos ver uma que, embora fantástica, muito nos ajuda a compreender a relatividade. (...)
Imagine-se um grande elevador parado no topo de um arranha-céu muito mais alto do que todos os existentes. Subitamente o cabo de suporte quebra-se e o elevador despenha-se. Dentro vão observadores que fazem experiências durante a queda. Nas condições ideais imaginadas, eliminamos o atrito e a resistência do ar. Um dos observadores tira do bolso o lenço e o relógio, e deixa-os cair. Que acontece aos dois corpos? Para um observador que esteja de fora, olhando pela janela do elevador, o lenço e o relógio caem exatamente do mesmo modo, com a mesma aceleração. (...)
Para o observador de fora ambos caem com a mesma aceleração. Mas o mesmo se dá com o elevador, com suas paredes, o seu teto, o seu soalho. Onde: a distância entre os dois corpos e o soalho não muda. Para o observador de dentro, os dois corpos, o relógio e o lenço, permanecem exatamente no ponto em que estavam quando ele os largou. (...)
Em suma: as leis clássicas da mecânica são válidas para o observador de dentro. Todos os corpos se comportam de acordo com a lei da inércia.

Dicionário Filosófico

Experiência mental – constitui um raciocínio lógico sobre um experimento não realizável na prática mas cujas consequências podem ser exploradas pela imaginação, pela física ou pelas matemáticas. Esses experimentos são utilizados para se compreender aspectos não experimentáveis do Universo.

Insight – clareza súbita na mente, no intelecto de um indivíduo; iluminação, estalo, luz. Compreensão ou solução de um problema pela súbita captação mental dos elementos e relações adequados.

Habilidade: elaborar por escrito o que foi apropriado de modo reflexivo

1 – De acordo com Einstein, o que marca o começo e o primeiro grande avanço da física?
( ) Lei da Áreas ( ) Lei da Inércia ( ) Lei das Órbitas ( ) Lei dos Períodos
2 – Escreva a experiência idealizada usada por Einstein como exemplo.
3 – No segundo parágrafo Einstein nos solicita imaginar um experimento idealizado. Como é conhecida esta experiência mental?
( ) O gato de Schrödinger
( ) O paradoxo dos gêmeos
( ) O demônio de Maxwell
( ) Dentro e fora do elevador
4 – Nesta experiência mental o que acontece com o lenço e o relógio para quem observa de fora, pela janela?
5 – Nesta experiência mental o que acontece com o lenço e o relógio para que observa de dentro, presencialmente?
6 – Para qual dos observadores (fora ou dentro) as leis da mecânica clássica são válidas?
( ) para o observador de fora ( ) para o observador de dentro
7 – De acordo com o dicionário o que é um “insight”?
8 – De acordo com o dicionário o que é uma “experiência mental”?
9 – Pesquise uma experiência mental e a descreva aqui.

Laudan - problema empírico

Para a resolução de problemas empíricos quais teorias científicas os pesquisadores devem escolher?

Filosofia da Ciência 
Tema: problema empírico
Filósofo: Laudan, L. (1941-) 
Obra: O Progresso e seus Problemas: Rumo a uma Teoria do Crescimento Científico (1977) 

Biografia

Laudan, L. (1941–) é um filósofo americano da ciência. Ele criticou fortemente as tradições do positivismo, realismo e relativismo e defendeu uma visão da ciência como uma instituição privilegiada e progressista contra os desafios populares.

Habilidade: ler de modo filosófico textos de diferentes estruturas e registros

Dobra Espacial - O Experimento que vai produzir oxigênio em Marte

Habilidade: ler textos filosóficos de modo significativo 

O Progresso e seus Problemas: Rumo a uma Teoria do Crescimento Científico (1977) 

Tipos de problemas empíricos 

Uma vez abordadas algumas das diferenças entre os atos e os problemas empíricos, e a necessidade de sua clara separação, podemos agora ver a função que tais problemas desempenham no processo de análise científica. Ainda que posteriormente abrirmos uma taxonomia mais completa, podemos dividir, grosso modo, os problemas empíricos em três tipos: (1) problemas não resolvidos (potenciais) – aqueles problemas empíricos que todavia não tenham sido adequadamente resolvidos por nenhuma teoria; (2) problemas resolvidos – aqueles problemas empíricos que tenham sido adequadamente resolvidos satisfatoriamente por uma teoria; (3) problemas anômalos – aqueles problemas empíricos que uma teoria concreta ainda não resolveu, pois existem uma ou mais teorias alternativas. 
Evidentemente, os problemas resolvidos falam em favor de uma teoria, os anômalos constituem testes contra a teoria, e os resultados apontam, simplesmente, vias para uma indagação teorética posterior. Utilizando esta terminologia, podemos argumentar que uma das características distinta do progresso científico é a transformação de problemas empíricos anômalos e não resolvidos em problemas resolvidos. Devemos perguntar, no caso de todas e cada uma das teorias, quantos problemas estão resolvidos e quantas anomalias elas enfrentam. Esta pergunta, em uma forma levemente mais completa, se converte em uma das ferramentas fundamentais para a evolução comparativa das teorias científicas. 

Dicionário Filosófico 

Problema empírico – são os problemas tratados pelas ciências empíricas nas quais se incluem a física, a química, a biologia etc. Fazem parte destes problemas saber como nasce ou morre uma estrela, como interagem as forças, a origem da vida na Terra, entre outros. 

Taxonomia – Processo usando artifícios para a classificação e nomenclatura das coisas. 

Habilidade: elaborar por escrito o que foi apropriado de modo reflexivo 

1 – Conforme o dicionário acima o que é um “problema empírico”? 
2 – De acordo com o texto de Laudan, quais são os três tipos de problemas empíricos? 
3 – Faça a relação entre os três tipos de problemas empíricos e exemplos de teorias da Astronomia. 
(A) Problema empírico 1 
(B) Problema empírico 2 
(C) Problema empírico 3 
( ) Teoria sobre o Modelo de Universo, pois “as equações relativísticas da gravitação não nos conduziram a uma única solução cosmológica, a uma única descrição do Universo, e sim a várias descrições”. (Observatório Nacional - 2006) 
( ) Teoria Relativística da Gravitação, pois “descreve os fenômenos de interação gravitacional entre quaisquer corpos existentes no universo”. (Observatório Nacional - 2006) 
( ) Teoria da Inflação do Universo, pois “os cientistas que dedicam suas vidas à cosmologia procuram, ainda, dar respostas a essa questão tão fundamental, sobre a origem do Universo”. (Observatório Nacional - 2006) 
4 – Portanto, segundo Laudan, uma das características distinta do progresso científico é: 
( ) transformar problemas empíricos resolvidos e não resolvidos em problemas anômalos. 
( ) transformar problemas empíricos anômalos e resolvidos em problemas não resolvidos. 
( ) transformar problemas empíricos anômalos e não resolvidos em problemas resolvidos. 
5 – Diante de uma teoria científica, qual pergunta devemos formular? 
( ) quantos problemas esta teoria resolveu e quantas anomalias ela enfrenta 
( ) quantas soluções esta teoria não apresentou e quantas respostas ela expõe 
( ) quantas narrativas esta teoria oferece e quantos métodos ela estuda 
6 - Conforme explicado no vídeo do Canal “Dobra Espacial” sobre a experiência para produzir oxigênio em Marte, o Rover Perseverance (lançado em julho de 2020 e que chegará em Marte em fevereiro de 2021) carrega o MOXIE – (Mars Oxigen In-Situ Resource Utilization Experiment) que utilizará a técnica de “eletrólise de oxido sólido” para resolver um problema empírico. Qual é este problema empírico? 
( ) Testar diferentes condições em que o oxigênio pode ser produzido e coletar dados sobre como eficiente isto pode ser para aplicações futuras. 
( ) Testar diversos modos para a produção de oxigênio e transformar o dióxido de carbono de Marte em hidrogênio.
7 – Para Laudan, além de problemas empíricos, temos os problemas conceituais (divididos em internos e externos). A proposta de Laudan considera que a eliminação de problemas conceituais constitui um progresso para a ciência. Para o problema “como os corpos podem atuar entre si a distância”, qual é a solução conceitual aceita atualmente pela comunidade científica: 
( ) Através do conceito de Força que é o agente da dinâmica responsável por alterar o estado de repouso ou movimento de um corpo. 
( ) Através do conceito de Éter que é a região superior dos ares responsável por alterar o estado de repouso ou movimento de um corpo. 
( ) através do conceito da Onipotência de Deus, pois os corpos operam por impulsos (causas) e por nenhum outro modo.

Fleck - pensamento coletivo

Qual é o elo no processo para se conhecer algo científico na relação entre o sujeito e o objeto?

Filosofia das Ciências
Tema: o pensamento coletivo
Filósofo: Fleck, L. (1896 – 1961)
Obra: Gênese e Desenvolvimento de um Fato Científico (1935)

Biografia
Fleck, L. (1896 - 1961) - foi um médico e biólogo polaco, que criou na década de 1930 o conceito de “pensamento coletivo”. O conceito é importante em história, filosofia e sociologia da ciência pois ajuda a compreender como as ideias científicas se modificam ao longo do tempo. Este conceito é semelhante e precursor das noções posteriores de paradigma de Thomas Kuhn. 

Habilidade: ler de modo filosófico textos de diferentes estruturas e registros


Exoplanetas | Nerdologia

Habilidade: ler textos filosóficos de modo significativo

Gênese e Desenvolvimento de um Fato Científico

O condicionamento social de qualquer processo de conhecimento 
A teoria comparada do conhecimento não deve considerar o processo do conhecimento como uma relação binária entre sujeito e objeto, entre o ator do conhecimento e algo a ser conhecido. O respectivo estado do saber, enquanto fator fundamental de cada conhecimento novo, deve entrar como o terceiro elemento nessa relação. Caso contrário, não haveria como entender de que maneira se chega a um sistema de opinião fechado e conforme a um estilo e por que se encontram predisposições para um determinado saber no passado que não eram legitimadas por razões “objetivas” (pré-ideias). 
As relações históricas e estilísticas dentro do saber comprovam a existência de uma interação entre o objeto e o processo do conhecimento: algo já conhecido influencia a maneira do conhecimento novo; o processo do conhecimento amplia, renova e refresca o sentido do conhecido. 
Por isso, o processo de conhecimento não é o processo individual de uma “consciência em si” teórica; é o resultado de uma atividade social, uma vez que o respectivo estado do saber ultrapassa os limites dados a um indivíduo. (...) 
A proposição “alguém conhece algo” exige um acréscimo, como, por exemplo: “com base num determinado estado de conhecimento”, ou melhor ainda: “dentro de um determinado estilo de pensamento, dentro de um determinado coletivo de pensamento”. 
Se definirmos o “coletivo de pensamento” como a comunidade das pessoas que trocam pensamentos ou se encontram numa situação de influência recíproca de pensamentos, temos, em cada uma dessas pessoas, um portador do desenvolvimento histórico de uma área de pensamento, de um determinado estado do saber e da cultura, ou seja, de um estilo específico de pensamento. Assim, o coletivo de pensamento representa o elo que faltava na relação que procuramos. 

Dicionário Filosófico

Fato científico ou comprovação científica é o conjunto de processos e métodos teóricos e práticos, conhecidos como Método Científico, que são realizados para averiguar sistematicamente a verdade e formar a certeza de que um determinado fato ou fenômeno de qualquer natureza é real, mensurável e passível de averiguação a qualquer momento pelos processos e instrumentos de controle, teóricos e práticos através de provas científicas. 

Habilidade: elaborar por escrito o que foi apropriado de modo reflexivo

1 – Segundo o texto de Fleck, quantos elementos existem na relação para conhecermos algo?
( ) um elemento: o próprio sujeito quando pensa, reflete.
( ) dois elementos: o sujeito e o objeto a ser conhecido.
( ) três elementos: o sujeito, o objeto e o estado do saber da sociedade da época.
2 – Portanto, o conhecimento científico de cada época é um:
( ) processo coletivo, histórico, estilístico, é uma atividade social.
( ) processo particular, singular, aleatório, é uma atividade individual.
3 – Cada cientista é “um portador do desenvolvimento histórico de uma área de pensamento, de um determinado estado do saber e da cultura, ou seja, de um estilo específico de pensamento”. Alan Costa de Souza do Observatório Nacional – ON, “desenvolveu, em sua tese de doutorado, um código de N corpos - sistema de vários planetas que interagem de acordo com a lei da gravitação de Newton - que permite analisar de maneira simultânea a estabilidade de um grande número de configurações planetárias diferentes”. O cientista Alan conseguiu este conhecimento porquê: 
( ) participa de uma “comunidade de pessoas que trocam pensamentos ou se encontram numa situação de influência recíproca e de estilo de pensamentos”. 
( ) atua sozinho “estudando na biblioteca através das ideias dos livros de Astronomia ou, no máximo, troca informações com pessoas de outras áreas”.
Mapa dinâmico do sistema Kepler-419 obtido a partir do código desenvolvido. 
(Publicado: Terça, 07 de Abril de 2020)

4 – De acordo com o vídeo “Exoplanetas / Nerdologia” para a busca destes corpos celestes, quais são as condições que já sabemos que são capazes de sustentar vida? 
( ) a procura por estrelas que tenha uma massa entre 1/10 até 1 ½ do Sol; ter água; oxigênio; e estar na zona habitável.
( ) a procura por estrelas que tenham uma massa entre 3 até 7 ½ do Sol; ter hidrogênio; hélio; e estar na zona periférica.
5 – Um exemplo de “comunidade de pessoas que trocam pensamentos ou se encontram numa situação de influência recíproca e de estilo de pensamentos” é como o pesquisador Jorge Melendez (IAG-USP) juntamente com seu grupo descobriram o exoplaneta HIP 11915. Como foi realizada esta descoberta? 
( ) de maneira indireta, pois são as variações de sua luz pro vermelho e pro azul que indicam que o astro está sendo deslocado de sua órbita (perturbação gravitacional) por um outro astro (exoplaneta). 
( ) de maneira direta, pois com o uso de simples telescópios podemos facilmente observar a trajetória destes planetas (exoplanetas) na órbita de suas respectivas estrelas. 
6 – O primeiro exoplaneta observado ocorreu em 1995, o 51 Pegasi B. De acordo com o que estudamos de Fleck o conhecimento científico ocorre quando pesquisadores trocam resultados de seus estudos com a comunidade de sua área de atuação. Clique no hiperlink e pesquise os nomes dos dois pesquisadores que encontraram o primeiro exoplaneta e qual é o nome da universidade a qual eles pertencem?
7 – Outro método para se descobrir exoplanetas é quando eles passam, em suas órbitas, em frente de suas estrelas (trânsito). Qual o nome do telescópio enviado pela NASA e que observou, através deste método, mais de 100.000 estrelas e que encontrou 2.720 exoplanetas, encerrando suas atividades em 2018? 
( ) Hubble          ( ) Kepler          ( ) Webb          ( ) Chandra          ( ) Spitzer
8 – Clique no link e acesse o site “The Extrasolar Planets Encyclopaedia”: www.exoplanet.eu
Clique em “Todos os catálogos”. Anote o dia/mês/ano de sua pesquisa e responda: 
a) Quantos planetas são mostrados?
b) Quantos sistemas planetários existem?
c) Quantos sistemas múltiplos de planetas existem? 
d) Qual é o nome do mais recente exoplaneta e o ano de sua descoberta?

Darwin - evolução

Se as espécies são seres imutáveis como, então, elas poderiam evoluir?


Filosofia das Ciências
Tema: a evolução
Filósofo: Darwin, C. (1809 – 1882) 
Obra: A Origem das Espécies, no meio da Seleção Natural ou a Luta pela Existência na Natureza (1859) 

Biografia

Charles Darwin (1809 – 1882) - foi um naturalista, geólogo e biólogo britânico, célebre por seus avanços sobre evolução nas ciências biológicas. Juntamente com Alfred Wallace, Darwin estabeleceu a ideia que todos os seres vivos descendem de um ancestral em comum, argumento agora amplamente aceito e considerado um conceito fundamental no meio científico, e propôs a teoria de que os ramos evolutivos são resultados de seleção natural e sexual, onde a luta pela sobrevivência resulta em consequências similares às da seleção artificial. 

Habilidade: ler de modo filosófico textos de diferentes estruturas e registros


Pearl Jam - Do the Evolution

The Tree of Life - Origin of Life

O Desafio de Darwin

Habilidade: ler textos filosóficos de modo significativo 

A Origem das Espécies, no meio da Seleção Natural ou a Luta pela Existência na Natureza (1859) 

Acabo de recapitular os fatos e as considerações que profundamente me convenceram de que, durante uma longa série de gerações, as espécies se modificaram. 
Estas modificações efetuaram-se principalmente pela seleção natural de numerosas variações ligeiras e vantajosas; em seguida, os efeitos hereditários do uso e não uso das partes prestou um poderoso concurso a esta seleção; enfim, a ação direta das condições do meio e as variações que, em nossa ignorância, nos parecem surgir espontaneamente, têm gozado também um papel, menos importante, é verdade, pela sua influência sobre as conformações de adaptação no passado e no presente. Parece que não tenho, nas precedentes edições desta obra, concedido um papel assaz importante à frequência e ao valor destas últimas formas de variação, não lhes atribuindo modificações permanentes de conformação, independentemente da ação da seleção natural. Mas, desde que as minhas conclusões têm sido, recentemente, fortemente deturpadas, e desde que se tem afirmado que atribuo as modificações das espécies exclusivamente à seleção natural, permitir-se-me-á, sem dúvida, fazer notar que, na primeira edição desta obra, assim como nas edições subsequentes, sempre reproduzi numa posição bem evidente, isto é, no fim da introdução, a frase seguinte: “Estou convencido que a seleção natural tem sido o agente principal das modificações, mas jamais o foi exclusivamente”. Isto foi em vão, tão grande é o poder de uma constante e falsa demonstração; todavia, a história da ciência prova felizmente que não dura muito tempo. 
Não é possível supor que uma teoria falsa pudesse explicar, de maneira tão satisfatória, como o faz a teoria da seleção natural, as diversas grandes séries de fatos de que nos temos ocupado. Tem-se recentemente objetado que está nisto um falso método de raciocínio; mas é o que se emprega para apreciar os acontecimentos ordinários da vida, e os maiores sábios não têm desdenhado em segui-lo. É assim que se chega à teoria ondulatória da luz; e a crença da rotação da Terra no seu eixo só recentemente encontrou o apoio de provas diretas. Não é uma objeção valiosa dizer que, no presente, a ciência não lança luz alguma sobre o problema bem mais elevado da essência ou da origem da vida. Quem pode explicar o que é a essência da atração ou da gravidade! Ninguém hoje, contudo, se recusa a admitir todas as consequências que ressaltam de um elemento desconhecido, a atração, posto que Leibnitz tivesse outrora censurado Newton de ter introduzido na ciência “propriedades ocultas e milagres”. 
Não vejo razão alguma para que as opiniões desenvolvidas neste volume firam o sentimento religioso de quem quer que seja. Basta, além disso, para mostrar quanto estas espécies de impressões são passageiras, lembrar que a maior descoberta que o homem tem feito, a lei da atração universal, foi também atacada por Leibnitz, “como subversiva da religião natural, e, nestas condições, da religião revelada”. 

Dicionário Filosófico 

Evoluçãoé o processo de variação e adaptação de populações ao longo do tempo, podendo inclusive provocar o surgimento de novas espécies a partir de uma preexistente. Dessa forma, a grande diversidade de organismos presentes em nosso planeta pode ser explicada por meio dessa teoria.


Habilidade: elaborar por escrito o que foi apropriado de modo reflexivo 

1 – De acordo com Darwin as espécies se modificam: 
( ) rapidamente, através das espécies adultas para os filhotes 
( ) lentamente, através de uma longa série de gerações 
2 – Quais são os fatores apontados por Darwin que contribuem decisivamente para as modificações das espécies? 
( ) a seleção artificial; as causas hereditárias do QI, as condições de superestrutura da natureza 
( ) a seleção natural; os efeitos hereditários do uso e não uso das partes; as condições do meio e suas variações 
3 – Das três possibilidades acima, qual é a forma de variação mais importante (o agente principal) de acordo com Darwin? 
4 – Embora Darwin tenha dada a devida importância aos três modos de modificação das espécies suas conclusões foram deturpadas alegando-se que (ele) estaria utilizando um falso método de raciocínio. 0s exemplos que Darwin cita: teoria ondulatória da luz e a rotação da Terra são modelos de ciência: 
( ) metafísica ( ) ontológica ( ) experimental ( ) teológica 
5 – Ao final do texto Darwin escreve sua angústia por não ser entendido por questões religiosas e cita o exemplo de Leibnitz que atacou Newton, pois este introduziu “propriedades ocultas” na ciência (a descoberta da lei da atração universal). Como é conhecida a narrativa cristã que se opôs à Teoria da Evolução? 
( ) panteísmo ( ) deísmo ( ) criacionismo ( ) agnosticismo 
6 – A Teoria da Evolução diz que o processo de variação e adaptação de populações ao longo do tempo, pode provocar o surgimento de novas espécies a partir de uma preexistente. O que difere, então, a explicação da evolução pela ciência de uma narrativa sobre o mesmo tema pela religião? 
( ) as ideias ( ) as formas ( ) as evidências ( ) as abstrações


7 – Um dos pontos principais do darwinismo diz respeito à seleção natural. Segundo o conceito da seleção natural, é incorreto afirmar que 
a) Organismos mais aptos possuem maior probabilidade de chegar à fase adulta e reproduzir-se. 
b) O meio ambiente exerce uma força seletiva sobre as espécies. 
c) No processo de seleção natural, organismos que possuem características desvantajosas com o tempo diminuem em número. d) Na seleção natural percebemos que o organismo mais veloz sempre é o selecionado.

Galileu - movimento

Qual é a causa para o movimento dos corpos?


Filosofia das Ciências
Tema: o movimento 
Filósofo: Galileu, G. (1564 – 1642)
Obra: Diálogo sobre os Dois Principais Sistemas do Mundo (1632) 

Biografia

Galileu Galilei (1564 – 1642) é considerado um dos criadores da ciência moderna. Sua crítica ao sistema geocêntrico e sua defesa da astronomia de Copérnico abriram caminho para o desenvolvimento da moderna física e da astronomia. Galileu defendeu o uso da matemática como linguagem da física, estabelecendo assim um novo método para a ciência natural. 

Habilidade: ler de modo filosófico textos de diferentes estruturas e registros

Galileo's Inertia track / Homemade Science with Bruce Yeany 


Habilidade: ler textos filosóficos de modo significativo 

Diálogo sobre os Dois Principais Sistemas do Mundo (1632) 

Salviati: (...) Agora me diga: Suponha que você tenha uma superfície plana, lisa, feita de um material como o aço. Ela não está paralela com o solo e, em cima dela, você coloca uma bola perfeitamente esférica e feita de um material pesado, como o bronze. O que você acredita que irá acontecer, quando a bola for solta? Você não acredita, como eu, que ela permanecerá parada?
Simplício: A superfície está inclinada?
Salviati: Sim, isso foi assumido.
Simplício: Não acredito que ela permanecerá parada; pelo contrário, tenho certeza de que ela irá espontaneamente rolar para baixo. (...)
Salviati: (...) Durante quanto tempo você acha que a bola permanecerá rolando e com qual velocidade? Lembre-se que eu disse que era uma bola perfeitamente esférica e uma superfície altamente polida, de modo a remover todos os impedimentos acidentais e externos. Da mesma forma, eu quero que você despreze, também, qualquer impedimento do ar, causado por sua resistência à separação, e todos os outros obstáculos acidentais, se existir algum.
Simplício: Eu o compreendi perfeitamente e lhe respondo que a bola continuaria a mover indefinidamente, tão longe quanto a inclinação da superfície se estendesse e com um movimento continuamente acelerado. Pois tal é a natureza dos corpos pesados (...); e, quanto maior a rampa, maior seria sua velocidade.
Salviati: E se alguém quisesse que a bola se movesse para cima, nessa mesma superfície, você acha que a bola (poderia) ir?
Simplício: Não espontaneamente; não. Mas arrastada ou atirada forçadamente, ela iria.
Salviati: E se a bola fosse arremessada com um ímpeto forçadamente impresso nela, qual seria seu movimento e quão rápido (seria ele)?
Simplício: O movimento iria constantemente diminuir e seria retardado, sendo contrário à natureza, e teria uma duração maior ou menor, de acordo com um maior ou menor impulso e menor ou maior aclive.
Salviati: Muito bem; até aqui você me explicou o movimento sobre dois planos diferentes. Em um declive, o corpo pesado desce espontaneamente e continua acelerando e mantê-lo em repouso requer o uso de força. No aclive, uma força é necessária para arremessá-lo e até para mantê-lo parado e o movimento impresso diminui continuamente até ser inteiramente aniquilado. Você diz, também, que uma diferença nos dois casos se origina na maior ou menor inclinação do plano, de forma que, em um declive, uma velocidade maior se segue de uma maior inclinação, enquanto que, ao contrário, em um aclive, um dado corpo em movimento, arremessado com uma força dada, move-se mais longe, de acordo com uma menor inclinação.
Agora, diga-me o que aconteceria, se o mesmo corpo em movimento fosse colocado numa superfície sem aclive ou declive (plana).
Simplício: (...) Não havendo declive, não haveria tendência natural ao movimento; não havendo aclive, não haveria resistência a ser movido. Assim, haveria uma indiferença quanto à propensão e à resistência ao movimento. Parece-me que a bola deveria permanecer naturalmente estável. (...).
Salviati: (...) Acho que isso é o que aconteceria, se a bola fosse colocada firmemente. Mas o que aconteceria se fosse dado à esfera um impulso, em qualquer direção?
Simplício: Deve ser concluído que ela se moveria naquela direção.
Salviati: Mas com que tipo de movimento? Um continuamente acelerado, como no declive, ou um continuamente retardado, como no aclive?
Simplício: Não havendo aclive ou declive, não posso ver uma causa para desaceleração ou aceleração.
Salviati: Exatamente. Mas, se não existe causa para a retardação da bola, deve haver ainda menos (causa) para que venha ao repouso; assim, até onde você supõe que a bola se moveria?
Simplício: Tão longe quanto a extensão da superfície continuasse sem se levantar ou abaixar.
Salviati: Então, se tal espaço fosse ilimitado, o movimento nele seria, da mesma forma, ilimitado? Isto é, perpétuo?
Simplício: Assim parece-me (...). 
Salviati: Agora, diga-me, o que você considera ser a causa da bola se mover espontaneamente, quando em declive, e somente forçadamente, quando em aclive?
Simplício: Que a tendência dos corpos pesados é de se mover para o centro da Terra e de se mover para cima, a partir de sua circunferência, somente (forçadamente); ora, a superfície em declive é a que se aproxima do centro (da Terra), enquanto que aquela em aclive se afasta para longe (do centro da Terra). 
Salviati: Então para que uma superfície não esteja nem em aclive e nem em declive, todas as suas partes devem ser igualmente distantes do centro. Existe tal superfície no mundo?
Simplício: Muitas delas; tal seria a superfície de nosso globo terrestre, se ele fosse liso e não ondulado e montanhoso, como é. (...). 

Dicionário Filosófico 

Movimento - na filosofia clássica, o movimento é um dos problemas mais tradicionais da cosmologia desde os pré-socráticos, na medida em que envolve a questão da mudança na realidade. Na física atual é a variação de posição espacial de um objeto ou ponto material em relação a um referencial no decorrer do tempo. 

Habilidade: elaborar por escrito o que foi apropriado de modo reflexivo 

1 – O título deste livro é “Diálogo sobre os Dois Principais Sistemas do Mundo”. Quais são estes dois principais sistemas de mundo? 
( ) O Ptolomaico e o Copernicano. 
( ) O Platônico e o Aristotélico 
( ) O Socrático e o Sofístico 
2 – Para o primeiro questionamento feito por Salviati qual é a resposta conclusiva de Simplício? 
( ) a bola ficará parada ( ) a bola rolará para baixo 
3 – De acordo com a resposta acima por quanto tempo a bola permaneceria neste estado? 
( ) até alguém pegar a bola ( ) até o fim da inclinação 
4 – Ainda de acordo com o primeiro questionamento, a bola... 
( ) continuaria acelerando e aumentando a velocidade quanto maior for a rampa 
( ) continuaria estática e equilibrando a força quanto maior for a superfície 
5 – De acordo com Simplício (representante do pensamento aristotélico) isto acontece por que: 
( ) é da natureza dos corpos pesados ( ) é o resultado de força nula ou igual a zero 
6 – O diálogo continua sobre a explicação do movimento sobre dois planos diferentes. Faça a relação de acordo com os planos. 
(A) Aclive 
(B) Declive 
( ) Uma força é necessária para arremessá-lo e até para mantê-lo parado e o movimento impresso diminui continuamente até ser inteiramente aniquilado. 
( ) Um corpo pesado desce espontaneamente e continua acelerando e mantê-lo em repouso requer o uso de força. 
7 – Nesta primeira metade do texto a discussão sobre o movimento dos corpos se dá em uma superfície inclinada. Na outra metade do texto discutem sobre o movimento em uma superfície plana. Ao final Salviati (representando Galileu) indaga sobre a causa da bola se mover espontaneamente (quando em declive) e somente forçadamente (quando em aclive). Qual é a resposta de Simplício para a causa do movimento dos corpos? 
( ) A tendência dos corpos pesados é de se mover para o centro da Terra e para afastar-se somente forçosamente. 
( ) A consequência da curvatura espaço-tempo regula o movimento de objetos inertes. 
8 – Considerando o contexto histórico e as leis físicas apresentadas por Copérnico, Kepler e Galileu, assinale a alternativa correta. 
A) Copérnico, Kepler e Galileu fazem parte da chamada Revolução Científica que rompe com leituras especulativas do Universo, baseadas em premissas aristotélicas e tomistas, e propõe análises empiristas do mundo natural. 
B) Copérnico, Kepler e Galileu propõe a ruptura com o ideal de universo circular, sendo, por isso, incentivados pela Igreja Católica, que defendia a elipse como forma do mundo natural. 
C) Copérnico, Kepler e Galileu foram glorificados pela Igreja Católica, por representarem os ideais medievais sobre a organização do céu e da Terra e sobre a onipresença divina. 
D) Copérnico, Kepler e Galileu representam uma evolução científica da época, fomentada pela Igreja Católica, pois propunha o geocentrismo, associado aos conhecimentos aristotélicos para a leitura e representação do mundo natural.

Newton - gravitação

Se um corpo sofre uma atração em direção a um centro, que tipo de curva seria sua órbita, se a “atração” varia inversamente com o quadrado da distância?

Filosofia das Ciências
Tema: gravitação
Filósofo: Newton, I. (1643 – 1727)
Obra: Princípios Matemáticos da Filosofia Natural (1687)

Biografia

Newton, I. (1643–1727) – foi um astrônomo, filósofo natural, teólogo, físico e matemático inglês. Foi considerado o cientista que causou maior impacto na história da ciência. De personalidade sóbria, fechada e solitária, para ele a função da ciência era descobrir leis universais e enunciá-las de forma precisa e racional.

Habilidade: ler de modo filosófico textos de diferentes estruturas e registros


Gravidade Visualizada

Habilidade: ler textos filosóficos de modo significativo

Princípios Matemáticos da Filosofia Natural (1687)
Prefácio – 1ª Edição

Já que os antigos consideravam a ciência da mecânica da maior importância na investigação das coisas naturais, e os modernos, rejeitando formas substanciais e qualidades ocultas, têm se esforçado para sujeitar os fenômenos da natureza às leis da matemática, cultivei a matemática, neste tratado, no que ela se relaciona à filosofia. Os antigos consideravam a mecânica sob dois aspectos: como racional – a qual procede rigorosamente por demonstrações – e a prática. (...)
Portanto, a geometria está fundamentada na prática mecânica e não é nada mais do que aquela parte da mecânica universal que rigorosamente propõe e demonstra a arte de medir. (...)
Mas examinando a filosofia e não as artes, e escrevendo não sobre as potências manuais, mas naturais, considero principalmente aquelas coisas que se referem à gravidade, levidade, força elástica, resistência dos fluidos e forças desse tipo, sejam atrativas ou repulsivas; e, portanto, ofereço este trabalho como os princípios matemáticos da filosofia, pois toda a essência da filosofia parece constituir nisso – a partir dos fenômenos de movimento, investigar as forças da natureza e, então, dessas forças demonstrar os outros fenômenos. (...)
Na terceira parte deste livro, dou um exemplo disso na explicação do Sistema de Mundo; pois, pelas proposições matematicamente demonstradas nas partes anteriores, nesta parte derivo dos fenômenos celestes as forças de gravidade com as quais corpos tendem para o Sol e para os vários planetas.
Então, dessas forças, por outras proposições que também são matemáticas, deduzo os movimentos dos planetas, dos cometas, da Lua e do mar. Gostaria que pudéssemos derivar o resto dos fenômenos da Natureza dos princípios mecânicos pelo mesmo tipo de raciocínio, pois, por muitas razões, sou induzido a suspeitar de que todos eles possam depender de certas forças pelas quais as partículas dos corpos, por algumas causas até aqui desconhecidas, ou são mutuamente impelidas umas em direção às outras e se ligam em formas regulares, ou são repelidas e se afastam umas das outras. Sendo desconhecidas essas forças, os filósofos até agora têm tentado em vão a investigação da Natureza; mas espero que os princípios aqui expostos tragam alguma luz, seja a esse ou a algum outro método mais verdadeiro de filosofar.

Dicionário Filosófico

Ciência empírica - empiria é um tipo de evidência inicial para comprovar alguns métodos científicos, o primeiro passo é a observação, para então fazer uma pesquisa, que é o método científico. Nas ciências, muitas pesquisas são realizadas inicialmente através da observação e da experiência.

Habilidade: elaborar por escrito o que foi apropriado de modo reflexivo

1 – Qual conhecimento Newton privilegia para o estudo dos fenômenos da natureza?
(   ) a filosofia          (   ) a metafísica          (   ) a matemática          (   ) a teologia
2 – Da resposta acima, (para os gregos antigos) qual é a área que rigorosamente propõe e demonstra a arte de medir a mecânica universal?
(   ) a aritmética        (   ) a geometria          (   ) a combinatória         (   ) a álgebra
3 – Newton diz que examina potências naturais e considera principalmente aquelas coisas que se referem à gravidade, levidade, força elástica, resistência dos fluidos e forças desse tipo e que seu objetivo seria:
(   ) A partir dos fenômenos de movimento, investigar as forças da natureza.
(   ) A partir dos fenômenos de movimento, investigar as forças divinas.
4 – Na terceira parte deste livro, denominado Sistema de Mundo, qual é a força que Newton descobriu que interage nos fenômenos celestes?
A ___________________________
5 – Ainda no capítulo Sistema de Mundo Newton diz que explicou até aqui “os fenômenos dos céus e do nosso mar através da força da gravidade, todavia não atribui uma causa à gravidade. Em todo caso, essa força surge de alguma causa que penetra até o centro dos planetas, sem diminuição de força, e que age (...) segundo a quantidade de matéria sólida, e cuja ação se estende por todos os lados a imensas distâncias, decrescendo sempre na razão duplicada das distâncias. Porém, ainda não pude deduzir a razão destas propriedades da gravidade a partir dos fenômenos e não invento hipóteses”. Ao dizer que não inventa hipóteses e que se fundamenta nas proposições que são deduzidas a partir dos fenômenos, e se convertem em gerais pela indução, Newton fortalece a:
(   ) ciência experimental (empírica)
(   ) ciência especulativa (teorética)
(   ) ciência ontológica (metafísica)
6 – Pesquise as Três Leis de Newton, que são teorias sobre o movimento dos corpos descrito no século XVII, e escreva como elas são conhecidas:
Princípio _______________________________
Princípio _______________________________
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