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Filosofia do Conhecimento - Missão 18 - Pirro - o ceticismo

Ler de modo filosófico textos de diferentes estruturas e registros (PCNs, página 64)


 É possível conhecer a verdade?
Publicado em 30/08/2013 por Nihon Play
Japão, século XI. Durante uma forte tempestade, um lenhador, um sacerdote e um camponês procuram refúgio nas ruínas de pedra do Portão de Rashomon. O sacerdote diz os detalhes de um julgamento que testemunhou, envolvendo o estupro de Masako e o assassinato do marido dela, Takehiro, um samurai. Em flashback é mostrado o julgamento do bandido Tajomaru, onde acontecem quatro testemunhos, inclusive de Takehiro através de um médium. Cada um é uma "verdade", que entra em conflito com os outros.

Filosofia do Conhecimento
Tema: o ceticismo
Questões Centrais: É possível conhecer a verdade? São possíveis juízos objetivos?
Filósofos: Pirro de Elis (365 a.C. – 275 a.C.) / Enesidemo (Séc. I) / Sexto Empírico (Séc. II)
Obra: Hipotiposes Pirrônicas

Biografias

Pirro foi um filósofo grego seguidor de Demócrito, acompanhou Alexandre Magno no expedição ao Oriente, de 334 a 324 a.C. Na Índia , teve oportunidade de conhecer mestres de ioga. Pirro ficou profundamente impressionado pelas suas doutrinas e pela capacidade dos faquires orientais de suportar a dor. 

Enesidemo foi um filósofo cético grego. Viveu durante o século I, e lecionou em Alexandria, no Egito. Provavelmente foi membro da lendária academia fundada por Platão, porém diante de sua rejeição às suas teorias, reviveu o princípio da epoché ou "julgamento suspenso", proposto originalmente por Pirro e Tímon, como solução para o que ele considerava o problema insolúvel da epistemologia. Discutiu quatro idéias principais: as razões para o ceticismo e a dúvida, os argumentos contra a causalidade e a verdade, uma teoria física e uma teoria ética. Destas, a primeira é a mais significante e as suas razões para a suspensão do julgamento foram organizadas em dez modos.

Sexto Empírico foi um médico e filósofo grego que viveu entre os séculos II e III. Seus trabalhos filosóficos são um dos melhores exemplos do ceticismo pirrônico e fonte da maioria dos dados referentes a essa corrente filosófica. Seus conceitos influenciaram Montaigne e Hume.

Ler textos filosóficos de modo significativo (PCNs)

Esboços Pirrônicos ou Hipotiposes Pirrônicas (Sexto Empírico citando Enesidemo)
Os dez tropos ou modos

O primeiro modo refere-se à diferença entre seres vivos no que diz respeito ao prazer e à dor, ao dano e à utilidade. Daí se deduz que eles não recebem as mesmas impressões dos mesmos sujeitos e que, portanto, tal conflito gera necessariamente a epoché, a suspensão do juízo. Alguns dos seres vivos se reproduzem sem mistura, como aqueles que vivem no fogo, a fênix e os vermes; outros, por meio da união dos corpos, como os homens. Como alguns são constituídos de um modo, outros de modo diverso, também as suas sensações são diferentes. Assim, por exemplo, os falcões têm os olhos acutíssimos, os cães têm olfato finíssimo.
O segundo modo refere-se à natureza e às idiossincrasias dos homens. Por exemplo, Demofonte, mordomo de Alexandre, aquecia-se à sombra, ao passo que sob o sol sentia frio. Andron de Argos, como reporta Aristóteles, viajava pelos áridos desertos da Líbia sem beber.
O terceiro modo é determinado pela diferença dos poros que transmitem as sensações. Assim, a maçã dá a impressão de ser pálida à vista, doce ao paladar, perfumada ao olfato. E a mesma figura vê-se ora de um modo, ora de outro, segundo a diferença dos espelhos. Daí decorre que àquilo que aparece não corresponde a tal forma mais do que outra.
O quarto modo diz respeito às disposições individuais e, em geral, à mudança de condições tais como saúde, doença, sono, vigília, prazer, dor, juventude, velhice, coragem, medo, carência, abundância, ódio, amor, calor, arrefecimento, além da facilidade ou dificuldade da respiração. A diversidade das impressões é condicionada pela diversa condição das disposições individuais.
O quinto modo é referente à educação, às leis, às crenças na tradição mítica, aos pactos entre os povos e às concepções dogmáticas. Ele envolve os pontos de vista sobre aquilo que é belo ou feio, verdadeiro ou falso, bom ou ruim, sobre os deuses e sobre a formação e corrupção do mundo fenomênico. A mesma coisa para alguns é justa, para outros, injusta, ou ainda, para alguns é boa, para outros, ruim. Os persas não consideram estranha a união corporal com uma filha; os gregos, ao contrário, reputam-na pecaminosa. Os massagetas, como relata também Eudoxo no primeiro livro de Vota da Terra, admitem a comunhão das mulheres, os gregos não a admitem. Os cilícios desfrutavam da pirataria, os gregos, não.
O sexto modo é o de conceber a religião. Cada povo crê nos seus deuses e há quem acredite na providência e quem não acredite. Os egípcios embalsamam os seus mortos antes de sepultá-los, os romanos cremam-nos e os peônios jogam-nos nos pântanos.
O sétimo refere-se às distâncias, às diversas posições, aos lugares e às coisas que se referem a eles. Segundo este modo, aquilo que se acredita ser grande aparece pequeno, o quadrado aparece redondo, o liso aparece saliente, o reto aparece oblíquo, o pálido aparece de outra cor. O Sol, por causa da distância, aparece pequeno; os montes, visto de longe, aparecem envoltos no ar e lisos, visto de perto, aparecem ásperos e cheios de fendas. Além disso, o Sol, quando se levanta, tem um aspecto diferente de quando está no meio do céu.
O oitavo modo refere-se às quantidades e qualidades das coisas, à multiplicidade das suas condições, determinadas pelo calor ou pelo frio, pela velocidade ou pela lentidão, pela ausência ou pela variedade de cores. Assim como o vinho, bebido moderadamente, fortalece o organismo, bebido em quantidade excessiva, enfraquece-o; assim também, o alimento e coisas semelhantes.
O nono modo diz respeito à continuidade, ou à estranheza, ou à raridade dos fenômenos. Assim, os terremotos não provocam espanto àqueles junto aos quais ocorrem continuamente, e tampouco o Sol, porque é visto todos os dias.
O décimo modo baseia-se na relação comparativa que existe, por exemplo, entre o leve e o pesado, entre o forte e o fraco, entre o maior e o menor, entre o alto e o baixo. O que se encontra à direita não está à direita por natureza, mas é entendido como tal, tendo em vista a posição que ocupa em relação a outro objeto; mudada a posição, não se encontra mais à direita.
Portanto, como o conhecimento dessas coisas depende das relações que temos com eles, como vimos nesses modos, a sua própria natureza escapa-nos totalmente e a consequência é a suspensão do juízo sobre a verdade.

Dicionário Filosófico

Verdade – Em grego verdade se diz aletheia, significando: não oculto, não escondido, não dissimulado. O verdadeiro é a manifestação daquilo que é ou existe tal como é. O verdadeiro é o evidente ou o plenamente visível para a razão. Em latim, verdade se diz veritas e se refere à precisão, ao rigor e à exatidão de um relato, no qual se diz com detalhes, pormenores e fidelidade o que aconteceu. Verdadeiro se refere, portanto, à linguagem enquanto narrativa de fatos acontecidos refere-se a enunciados que dizem fielmente as coisas como foram ou como aconteceram. Em hebraico verdade se diz emunah e significa confiança. Agora são as pessoas e é Deus quem são verdadeiros. Um Deus verdadeiro ou um amigo verdadeiro são aqueles que cumprem o que prometem, são fiéis à palavra dada ou a um pacto feito, enfim, não traem a confiança. (Chauí – Convite à Filosofia)

Epoché - Termo grego que refere à suspensão do juízo. O termo era usado pelos cépticos da Antiguidade Grega, como Pirro de Élis (c. 365-275 a. C.), o fundador do cepticismo grego, para referir o estado de não comprometimento por ele defendido perante teses ou teorias opostas; assim, perante a questão de saber se Deus existe ou não, Pirro defenderia a suspensão do juízo ou epoché em relação a ambas as teses. 

Ceticismo - A perspectiva que nega total ou parcialmente a possibilidade do conhecimento. De acordo com o cético, se bem procurarmos, encontramos sempre boas razões para duvidar mesmo das nossas crenças mais fortes.

Empirismo e Ceticismo - Oswaldo Porchat
Amphitheatrum Sapientiae Aeternae - Publicado em 2 de out de 2016
Elaborar por escrito o que foi apropriado de modo reflexivo (PCNs)

1 – Para todo e qualquer argumento é possível ser refutado por outro argumento com igual força. Os modos de Enesidemo mostram de que forma podemos nos enganar quando procuramos a verdade em sua essência. Faça a relação quanto aos modos e seus respectivos exemplos.
(    ) Quanto a verdade obtida pelo olfato os homens tem limitações enquanto o cão percebe o mundo com seu olfato mais apurado.
(    ) Mesmo entre os homens, uns acreditam que o clima é de calor enquanto outros podem afirmar que seja frio.
(     ) O abacaxi é áspero ao tato e agradável ao olfato.
(    ) Conheço o mundo com 10 anos de idade e o percebo de modo bem diferente aos 50 anos de idade.
(     ) Para alguns povos o verdadeiro é ser poligâmico, para outros o correto é ser monogâmico.
(     ) Para alguns povos a verdade é que vamos para o céu após a morte, para outros o lugar dos mortos é nas profundezas da Terra.
(     ) Olhando para o céu noturno percebemos que as estrelas possuem quase os mesmos tamanhos.
(    ) Um avião com turbinas em elevada altitude parece lento.
(     ) Um cometa desperta em nós muita curiosidade em saber o que ele é.
(   ) Devido ao conhecimento sobre as lentes gravitacionais podemos perceber a posição correta das estrelas e não a posição aparente.
(A) Relação comparativa;
(B) Continuidade, estranheza e raridade;
(C) Quantidades e qualidades;
(D) Distâncias;
(E) Concepção de religião (crenças);
(F) Educação, leis, pactos, cultura, hábitos e costumes;
(G) Disposição individual (situação que a pessoa se encontra);
(H) Sensações pelos órgãos dos sentidos;
(I) Idiossincrasias dos homens;
(J) Diferenças entre os seres vivos.
2 – Pesquise:
a) O que é epoché?
b) O que é o ceticismo?
3 - O filme Rashomon trabalha com o conceito da verdade, mostrando os diferentes pontos de vista de um mesmo fato. Cada pessoa conta uma história diferente e ao final do filme é impossível saber quem de fato disse a verdade. Aliás, sequer é possível identificar se alguém realmente contou a história certa. Ao contar a história em uma estrutura não convencional, o filme sugere a impossibilidade de se obter uma verdade única quando existem pontos de vista conflitantes. (Marinha Luiza - http://wearsunglasses.wordpress.com/2011/11/16/resenha-rashomon-1950/) Acesso em 20/04/2014.
Em qual conceito de verdade o filme pode ser encaixado? O grego, o latino ou o hebraico? Por quê?

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