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Filosofia da Arte ou Estética - Missão 03 - Plotino - arte e religião

Ler de modo filosófico textos de diferentes estruturas e registros (PCNs, página 64)

Introitus do Requiem em Dó Menor de Mozart
Filosofia: da Arte ou Estética
Tema: a relação entre arte e religião
Questão Central: A arte e o amor pela beleza são instrumentos de elevação espiritual?
Filósofo: Plotino (204 – 270)
Obra: Enéadas

Biografia

Plotino (205270) nasceu no Egito, foi discípulo de Amônio Sacas por 11 anos e mestre de Porfírio. Plotino nos legou seus ensinamentos em seis livros, de nove capítulos cada, chamados de As Enéadas.

Ler textos filosóficos de modo significativo (PCNs)

Enéadas

A beleza no seu grau mais elevado encontra-se no âmbito da visão; e também no da audição e de qualquer gênero de música; e de fato cantos e ritmos são belos. Além disso, para além e acima da sensação, encontraremos a beleza nos costumes, nas ações, nos modos de ser, na ciência e na virtude.
Existe alguma coisa anterior e essas coisas belas? Eis o objeto da nossa demonstração. Qual é propriamente a causa que torna belos os corpos aos olhos e faz com que a audição permita reconhecer que certos sons são belos? Por que as coisas que ligam diretamente à alma são todas belas? O princípio da beleza é único e idêntico em todas as coisas ou existe uma beleza própria dos corpos e outra própria das coisas? Se forem dois princípios, quais são? Se for um, qual é?
De fato, algumas coisas são belas, como os corpos, não em razão do próprio sujeito, mas por participação; outras coisas, ao contrário, são belas em si mesmas, como a natureza da virtude. (...)
A beleza é algo que se torna sensível desde a primeira percepção; intuindo-a, a alma a revela; e, reconhecendo-a, a acolhe, por assim dizer, acostando-se a ela. Se, ao contrário, a alma depara com a feiúra, reluta e rejeita-a, fugindo por não senti-la em harmonia consigo mesma, mas quase como uma estranha. (...)
Pois bem, que semelhança pode haver entre as coisas aqui de baixo e as coisas lá de cima? Porque, se semelhança há, elas serão semelhantes verdadeiramente. E de que modo são belas as coisas superiores e as terrestres? Estas, afirmamos, são belas porque participam da idéia. (...)
A idéia, portanto, primeiro coordena, reunindo em unidade o objeto futuro, composto de muitas partes; depois o reduz a um todo coerente; finalmente, cria a unidade mediante a correspondência. A partir do momento em que a idéia é una, também o objeto informado por ela deverá ser uno, no limite, bem entendido, da sua possibilidade, posto que este também é constituído de uma multiplicidade. (...)
A beleza da cor é algo simples, em virtude de uma forma, e deve-se à vitoriosa presença da luz (realidade incorpórea, razão, idéia) sobre a escuridão da matéria. Por isso, mais do que qualquer outro corpo, o fogo é belo em si mesmo; posto que, comparado a todos os outros elementos, ocupa quase a mesma posição da idéia; de fato, é sublime e, por sua posição, o mais sutil entre todos; quase no limite da natureza incorpórea, posto que ele não acolhe em si as outras coisas, enquanto as outras coisas o acolhem; de fato, estas se aquecem ao seu contato, ao passo que ele não resfria jamais. (...)
Aqueles cuja alma é capaz de contemplar tais entidades são necessariamente videntes; videntes que experimentam, comovidos e enlevados, admiração muito maior do que ao contemplar a beleza física, posto que já podem tocar a prova da verdade. Eis os sentimentos que, necessariamente, vêm cortejar o que é belo: maravilha, a suave tensão, o desejo, o amor e a deliciosa excitação.
Pois bem, as realidades invisíveis também podem inspirar tais sentimentos; e, de fato, as almas experimentam-nos; ouso dizer, todas as almas; porém, bem entendido, mais entre aquelas que são mais amorosas. O mesmo se dá em relação à beleza física: todos possuem, sim, olhos para vê-la, mas nem todos sentem a mesma aflição; mais do que por todos, é sentida por quem leva também o nome de amante...
A alma purificada torna-se idéia e razão; totalmente incorpórea e intelectual, faz-se completa a posse de Deus, de quem deriva a fonte da beleza e todos os outros valores espirituais conjuntos. (...)
Portanto, é justo dizer que o bem e o belo da alma consistem em tornar-se semelhantes a Deus, posto que daí derivam a beleza e qualquer outra coisa que tenha um lugar honroso na realidade. Natureza totalmente diversa dessa realidade tem a feiúra, que desde a origem é mal. Assim, podemos também afirmar que bom e belo, ou seja, Bem e Beleza, identificam-se. (...)
Portanto a natureza que produz tantos belos objetos deve possuir ela mesma uma beleza muito superior. Mas, como não temos o hábito de ver o interior das coisas que não conhecemos, restringimo-nos ao seu exterior, ignorando que é dentro delas que se esconde o que nos comove. (...) Mas, se reconheceste em ti a beleza, eleva-te à meminiscência da beleza inteligível. (...)
Se a arte consegue produzir obras que estejam conformes a sua essência constitutiva (sendo sua natureza produzir o belo), ela ainda tem, pela posse da beleza que lhe é essencial, uma beleza maior e mais verdadeira que aquela que passa nos objetos exteriores. (...)  Se se procura rebaixar as artes, dizendo que para criar elas imitam a natureza, respondemos primeiro que a natureza dos seres é ela mesma imagem de outras essências; em seguida, que as artes não se limitam a imitar os objetos que se oferecem aos nossos olhos, mas remontam às razões ideais das quais deriva a natureza dos objetos; enfim, que elas criam muitas coisas por si mesmas e acrescentam o que falta à perfeição do objeto, porque possuem a beleza em si próprias.

Dicionário filosófico

Emanação – Diferentemente da criação, a emanação é um processo segundo o qual Deus ou o Ser criador gera ou produz os seres particulares que constituem o universo, sem que haja descontinuidade nesse processo de geração. A emanação implica a sucessão dos seres no tempo e, por conseguinte, o devir.

Elaborar por escrito o que foi apropriado de modo reflexivo (PCNs)

1 – De que maneira os corpos são belos?
                (   ) por emanação                    (   ) por participação
2 – O que acontece com a alma quando percebe a beleza?
3 – O que acontece com a alma quando percebe a feiúra?
4 – As coisas são belas porque participam da:
                (   ) Idéia                                  (   ) Natureza
5 – A idéia de Unidade é mais bela que as belezas do Múltiplo?
                (   ) sim                                     (   ) não
6 – Qual dos quatro elementos Plotino compara com a luz?
7 – Quais são os sentimentos de quem corteja o belo?
8 – As almas também experimentam esses sentimentos. Porém, qual alma sente mais?
                (   ) a amorosa                          (   ) a excitada
9 – A alma purificada torna-se idéia e razão porque participa do Bem e da Beleza, daí torna-se semelhante a quem?
10 – Segundo Plotino, existe uma beleza muito superior da qual participamos através da reminiscência da beleza inteligível. Onde se encontra esta beleza?
                (   ) No exterior das coisas                 (   ) No interior das coisas
11 – Ainda, segundo Plotino, a arte não apenas imita a natureza, ela também acrescenta o que falta à perfeição do objeto.
                (   ) Verdadeiro                                  (   ) Falso
12 - Pesquise e anexe uma pintura sacra e uma música erudita de exaltação bíblica conforme os exemplos no topo (música) e abaixo (pintura).
A Criação de Adão - Michelangelohttp://blog.cancaonova.com/padreanderson/files/2010/05/mgangelo.jpg

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